sexta-feira, 13 de março de 2026

Tomo MMCXLVIII Nunca há, de fato, o primeiro passo, mas é necessário ir a fundo.


Querer, eu quero. Mas é preciso lembrar: certas quebras de sigilo não passam de espetáculo midiático, recortes pensados para viralizar nas redes sociais, com um único objetivo — as eleições de outubro.

Não é novidade. A “republiqueta de Curitiba” já havia ensaiado esse teatro, criando farsas para reverter o processo iniciado no começo do milênio, quando uma candidatura progressista levou o Brasil a experimentar o futuro no presente. Como na canção de Chico Buarque, a roda viva chegou e levou o destino para longe.

Entre os alvos, o sigilo do Lulinha. Muito barulho, nenhuma prova. Apenas cortes de vídeo e manchetes fabricadas. A intenção era clara: repetir a lógica da farsa-jato, criminalizar correntes políticas, induzir comportamentos que lembram os que abriram caminho ao nazi-fascismo.

E enquanto isso, outras histórias corriam em paralelo. A “fábrica de chocolates” da Baixada Fluminense coexistia com denúncias de rachadinhas no gabinete de um deputado estadual carioca. Mas a cobertura nunca teve o mesmo peso.

A mídia — ou “mérdia”, como muitos dizem — insiste em retratar a política com lentes enviesadas. Fotos escolhidas a dedo: os conservadores sempre em poses ensaiadas, os humanistas flagrados no cansaço. A memória coletiva é moldada para esquecer.

Lembro de debates antigos, quando um político se assumia como “rouba, mas faz”, enquanto acusava o PT de corrupção. Ironia: anos depois, repatriou milhões de bancos suíços. Mas essa prova nunca virou manchete.

A farsa-jato culminou na entrega do pré-sal. O ex-juiz foi pintado de ouro, convocava abertamente para manter o golpe de 2016, enquanto milhares nas ruas eram ignorados pela cobertura oficial.

Quebrar o sigilo do chocolateiro é necessário. Mas a dúvida persiste: haverá a mesma intensidade de divulgação que houve contra a esquerda? Ou a roda viva continuará girando, levando a memória e o destino para longe?

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