Putz, quando um bolzominin resolve ler minhas crônicas, o estresse é garantido. Eles correm para dizer: “A música do Jorge Ben Jor fala dos alquimistas, não dos comunistas!”. E eu penso: curioso seria ver um bolzominin saber o que é um alquimista. Afinal, para quem insiste que a Terra é plana, explicar que existem inteligências é tarefa impossível.
Não é memória falha, é certeza matemática: há pouco mais de dois anos, Lula disse em reunião popular que o STF teria em breve a presença de um comunista. Pois bem, esse comunista é Flávio Dino, que hoje “toca o terror” — não contra a burguesia do dono da pizzaria ou da senhora que vende salgadinhos na porta da escola, mas contra os verdadeiros privilegiados. Só banqueiros, industriais e grandes redes deveriam temer comunistas. Mas na cabeça de um bolzominin, qualquer sombra é ameaça.
Entre deixar o Ministério da Justiça e assumir no STF, Dino protocolou a PEC 03/24. Um projeto com duzentos anos de atraso, que simplesmente determina que juízes flagrados em corrupção sejam expulsos do serviço público. Nada de aposentadoria precoce como prêmio. Nada de “milico vivo-morto” garantindo pensão. Apenas expulsão. Simples assim.
E por que acusam de ativismo judicial? Porque o parlamento prefere deixar propostas que combatem o crime dormirem em berço esplêndido, enquanto fazem campanha apontando dedos para suspeitas inexistentes. A PEC não mexe em ideologia, só diminui o roubo. Mas isso já basta para incomodar.
Imaginem se houvesse PEC proibindo pensões eternas para filhas solteiras de militares, ou obrigando a declaração dos dízimos pagos a falsos pastores. Aí sim, os comunistas — Dino, eu, ou qualquer um que ouse propor — seriam amaldiçoados pelos “supostos honestos” da República.

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