Ainda releio mentalmente o livro de Léo Huberman, A História da Riqueza do Homem. Confesso que é difícil naturalizar o acúmulo de bens por um único grupo familiar. Se o acúmulo não é natural, a defesa disso é ainda mais absurda.
Não dá para explicar esses montantes individuais de riqueza, principalmente quando lembro do livro que estava aberto na mesa da diretoria da E.E. Prof. Galdino Lopes Chagas. Eu tinha sete anos, filho de pais analfabetos, mas que frequentavam as missas católicas. Por um tempo, abrigamos a família de uma tia evangélica, e a Bíblia era algo natural na minha vida.
Se era natural aos sete anos, o que deixou de ser? Há mais de trinta anos entre minha primeira visita à diretoria escolar e a leitura crítica do livro de Huberman. Foi um privilégio ter acesso a uma obra criminalizada, que chegou às minhas mãos por indicação de um padre.
O motivo? Minha indignação com a memória da primeira missa. Uma cantiga despertou minha percepção da hipocrisia: enquanto as pregações atribuídas a Cristo sugerem um mundo socialista, quase todos os cristãos são radicalmente anti-socialistas.
Onde está o erro dessa história? A solução foi estudar história em um curso superior, durante uma ditadura sanguinária que, apesar de se identificar como cristã, torturava e matava quem defendia ideias socialistas. Qualquer leitura superficial da Bíblia indica uma defesa radical do socialismo.
Historicamente, é fácil identificar a "conversão" do Império Romano ao cristianismo, mas difícil entender como os judeus impuseram aos romanos a execução de Cristo. Por trás dessa história, tida como única (já que é o único registro "aceito" por esse mundo capitalista), há uma série de invasões. A sociedade judaica era tribal, sem governo ou exército, até a aceitação de um herdeiro de Davi como rei dos judeus. Rei, impostos, riquezas e poder.

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