Sinto um asco no lugar de uma memória afetiva. Resgatando os porquês: a misoginia está latente na memória, nas narrativas de um ex-delegado da polícia civil paulista, cuja esposa teria cometido suicídio. Esse delegado, agora deputado federal, expõe sua misoginia e os sinais da extrema direita.
O jornal televisivo da maior rede "merdiática" levanta dúvidas sobre outro "suicídio" de uma companheira de um policial militar, cuja esposa também era policial. Insistimos nesse tema indigesto porque, este ano, haverá eleições gerais no Brasil. Entre os "projetos" em disputa, as aspas na palavra "projeto" são pela dificuldade de classificar como proposta algo defendido pela extrema direita.
Pausa.
Se não tivéssemos vivido a mudança de chave na história do Brasil, "neste século", provavelmente não teríamos parâmetros para discutir. Mas o século virou, e não só o século. Deixamos de ser o eterno país do futuro. O Nordeste brasileiro deixou de ser a região que vivia apenas de "auxílios" da extinta LBA (Legião Brasileira de Assistência), extinta durante o primeiro governo eleito após a ditadura militar. Foi também a primeira campanha com proposta neoliberal: a redução do Estado.
Além da redução do Estado, essa candidatura, apoiada por todo o segmento "merdiático", tinha outra proposta com custos que ainda ardem na realidade brasileira. Enquanto se falava em modernização do parque industrial, o que vivemos foi desindustrialização, com dependência de importações de produtos que geravam empregos no Brasil. Isso mostra que, na economia, as propostas de melhoria da vida dos brasileiros são uma piada de mau gosto.
Além da economia, no cotidiano, a situação do Nordeste brasileiro continuou idêntica nas duas gestões do mais puro neoliberalismo, com uma burguesia nacional inexistente. Os governos de FHC primaram pela desestatização radical, entregando setores da indústria de base ao capital externo. O tiro de misericórdia no parque industrial, especialmente na construção civil, foi desferido por outro "herói" da burguesia nacional inexistente: o ex-juizeco. Todos esses setores e pessoas usaram fake news para eleger o governo que o delegado defende. Não ficarei surpreso se o esposo dessa policial militar vir a ser candidato ao Congresso defendendo o mesmo modelo político, aquele que manteve o Nordeste dependente de programas sociais por quinhentos anos.
Há uma diferença crucial entre a proposta de renda mínima, implantada no início do século, que permite à população escolher o que comprar, e a cesta básica, recebida apenas em crises. Infelizmente, há uma linha tênue entre o projeto entreguista e o modelo no qual a mulher está mais exposta aos feminicídios, muitas vezes investigados como suicídio.
As eleições deste ano podem restaurar o Brasil do século passado, voltar a ser colônia, mesmo depois do colonialismo deixar de ser modelo, ou retornar à construção da soberania. Porém, nós, brasileiros, precisamos nos atentar: não é só na eleição presidencial que devemos optar por uma proposta humanista, mas principalmente não nos "engambelar" pelos discursos da linha dura nos costumes. Essa linha dura é a que conduz aos feminicídios.

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