Na última segunda-feira, 2 de março de 2026, o Congresso Nacional finalmente colocou em pauta o Projeto de Lei nº 6290/2013 — isso mesmo, de 2013. Foram necessários treze anos e diversas eleições de forças progressistas para que se protocolasse um PL que criminaliza algo que, por qualquer lógica, já deveria ser crime desde sempre: o desaparecimento de pessoas sob custódia do Estado.
Mais absurdo que a demora é o fato de que, mesmo após reeleições sucessivas, essa força progressista foi interrompida por um impeachment forjado, nascido do entreguismo histórico que sempre rondou o país. Afinal, quando não houve entreguismo no Brasil? Desde antes do golpe de 1964, esse sentimento de submissão a interesses estrangeiros já se manifestava — e foi justamente a ameaça a esse sabujismo que atiçou os traidores da pátria, sempre prontos a entregar o comando nacional a qualquer potência externa.
Mesmo que se alegue que nenhuma lei retroage, há espaço para interpretação: se o crime for considerado continuado — ou seja, enquanto os corpos não forem entregues — os agentes públicos envolvidos ainda podem ser responsabilizados.
O PL, quando protocolado, visava principalmente os crimes da ditadura militar. Mas infelizmente, os desaparecimentos não ficaram restritos ao passado. O caso do pedreiro Amarildo, por exemplo, é emblemático. Mais recentemente, o porteiro do condomínio Vivendas da Barra foi pressionado a mudar sua versão no caso das investigações dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Esses episódios mostram que os amantes do obscurantismo continuam circulando, mesmo sob governos democraticamente eleitos. E embora tenham chegado ao poder pelo voto, a democracia nunca foi prioridade para o ex-desgoverno. Mas isso já é assunto para outra crônica.
Manipulação e ignorância política
A realidade exige que discutamos a capacidade cognitiva do eleitor. A extrema direita depende da manipulação — sem ela, não há direita, muito menos extrema direita. Os episódios da última quinta-feira, 26 de março, na CPMI que investiga fraudes em aposentadorias, são prova disso. Com 21 parlamentares presentes e 14 votando contra, a matéria foi aprovada. Como?
A discussão girava em torno de um sigilo que o investigado já havia aberto há mais de um mês. Então por que tanta controvérsia? Porque há uma blindagem em curso, tentando impedir que as investigações alcancem os integrantes do desgoverno das sombras. Curiosamente, os mesmos que se opõem à criminalização dos desaparecimentos forçados.
Surpresa? Nenhuma.

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