terça-feira, 17 de março de 2026

TOMO MMCLII Quando o que está em jogo é maior que o horizonte


Estar num avião de pequeno porte, em pleno céu azul, é ouvir alguém dizer “sol de brigadeiro” e saber que não estão falando de doce. É que, lá de cima, o horizonte se abre sem limites. Agora imagine que as questões que nos esperam em outubro sejam maiores que esse horizonte — não o que se vê, mas o que se pode imaginar.

É isso que os eleitores brasileiros terão diante de si. E não basta falar só com quem vota. Precisamos também dos influenciadores — gente que, mesmo sem poder apertar o botão da urna, entende o tamanho do jogo.

Recorro então a uma memória nada afetiva dos anos 1950. São Paulo vivia uma disputa eleitoral entre duas figuras messiânicas. Um deles, o “honesto” — aquele que, como seu sucessor de rótulo, “rouba, mas faz”. O sucessor teve US$ 200 milhões repatriados. O original, por sua vez, teve US$ 100 mil em notas novinhas encontrados no cofre da casa da amante, durante um assalto por grupos revolucionários — ou “terroristas”, dependendo do narrador.

Do outro lado da disputa, o homem da vassourinha. Sem comentários.

Na minha memória de cinco anos, aquilo tudo parecia coisa de monstros. Não dava pra imaginar que alguém do meu convívio pudesse virar presidente ou governador. Era como se esses cargos fossem reservados a seres não humanos.

Essa visão ainda marca muita gente. Tem quem não consiga enxergar um operário metalúrgico como condutor da nação. Mas o problema nem é esse. O problema é a qualidade do voto — inclusive de quem vota nele, mas escolhe parlamentares que sabotam seus próprios interesses.

Voltamos então à minha memória: precisamos humanizar — e qualificar — nossos votos parlamentares.

Sabe aquela frase de Cristo? “Dai a César o que é de César.” Pois é. Isso precisa valer para o voto. Quem pede voto em nome de Deus, que vá pedir no céu. Porque aqui, no mundo dos mortais, o voto é coisa séria. Não é para monstros da imaginação de uma criança de cinco anos.

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