É sempre a mesma história: sinais claros, exibidos com orgulho, mas que, no fundo, caminham na contramão das necessidades de quem os ostenta.
Hoje, 16 de março de 2026, vi no vidro traseiro de um carro à minha frente um adesivo: “Meus filhos, minhas regras”. Não é preciso muito esforço para imaginar o dono do veículo: provavelmente alguém que se define como cristão conservador. Mas aí está a contradição — cristão conservador é como uma nota de três reais: basta ver uma para ter certeza da falsidade. A diferença é que, enquanto a nota é inanimada, o cristão conservador insiste em assumir uma consciência inexistente.
No caso da nota falsa, quem ganha é a quadrilha; quem perde é a sociedade. No caso do conservadorismo cristão, quem ganha é a elite; quem perde é o resto.
E o que teria a ver esse adesivo com uma frase em inglês mal traduzida? Vamos lá: My = meu, Egg = ovo, Eat = comer. Resultado: “Meu ovo, minha refeição”. Parece sem sentido, mas não está tão distante assim das conexões que se revelam.
Oito anos atrás, o então “despresidente” queria nomear o filho 03 como embaixador no chamado “império do mal” — onde, aliás, ele próprio anda há um ano, dizendo negociar sanções contra o Brasil. Foram quatro anos de desgoverno, com filas de osso e supressão de direitos. Não conseguiu extinguir os sociais, porque são constitucionais, mas reduziu verbas e acesso.
Agora, o cenário se repete: lá fora, o temperamental governo de antes voltou; aqui dentro, o desgoverno de antes está preso, mas escalou o filho 01 para engabelar a população.
É nesse contexto que o tal adesivo ganha sentido. Ele ecoa a mesma manipulação religiosa que sustenta o conservadorismo cristão — aquele conservadorismo de nota de três reais. Quem se diz cristão conservador não quer que os filhos vivam segundo os avanços de dois mil anos após Cristo; quer, na verdade, um mundo em que a vinda de Cristo ainda fosse necessária. Um mundo de Deuteronômio, em que mulheres acusadas de infidelidade eram apedrejadas em praça pública. O contraponto, claro, seria a célebre frase: “Atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado”.
Esse conservadorismo foi capitalizado nas filas do osso durante o desgoverno do “capetão”, e hoje se traduz em jornadas de doze horas de trabalho, como propõe o ídolo latino da turma fã do MAGA (Make America Great Again).
Na vizinha Terra da Prata, nem salário mínimo é garantido. E aí fica a pergunta: será que o motorista do carro com o adesivo sabe dessas conexões?

Nenhum comentário:
Postar um comentário