Há quem diga que o analfabetismo funcional é apenas uma incapacidade técnica: pessoas que leem, escrevem, opinam com desenvoltura, mas tropeçam quando precisam interpretar ou relacionar ideias. No entanto, por trás dessa limitação, há uma trama mais profunda, que atravessa séculos e se enraíza nas instituições religiosas e políticas que moldaram a humanidade.
Se voltarmos às origens, às narrativas de Adão e Cristo, veremos que a fé, em sua essência, pretendia ser motor de evolução. Mas a pseudo-conversão de Constantino e a vinculação da fé cristã ao império transformaram espiritualidade em ferramenta de poder. O capitalismo — ou “capetalismo” — é apenas uma sequência dessa lógica: a fé convertida em moeda, a crença transformada em controle.
O iluminismo, com sua promessa de letramento universal, parecia romper esse ciclo. A Revolução Francesa proclamou que ler e escrever seriam direitos do cidadão e dever do Estado. Mas antes disso, o protestantismo já havia se infiltrado como força política, não para libertar, mas para disputar votos e manter a herança imperial. A religiosidade genuína, aquela que busca sentido e humanidade, foi substituída por religião como empresa — e o produto vendido foi a ignorância.
É nesse terreno que floresce a manipulação da opinião pública. O discurso anticorrupção, repetido como mantra, ecoa a mesma estratégia usada pelo nazismo: mobilizar massas pela indignação, enquanto se retira delas o futuro. No Brasil, essa manipulação levou a população a abrir mão de conquistas históricas: o petróleo, os direitos trabalhistas, a saúde universal. Décadas de luta entregues em troca de promessas vazias.
O mais grave, porém, é que essa alienação não é gratuita. O povo paga para ser idiotizado. Paga via dízimo, sustentando uma engrenagem que transforma fé em negócio e cidadania em submissão.
Assim, as leituras de todas as desleituras revelam um paradoxo cruel: quanto mais se lê sem compreender, mais se repete o ciclo da manipulação. E a cada repetição, o futuro se afasta, soterrado por sombras que insistimos em chamar de neutralidade.

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