Sempre que folhetim aponta,
"14/03" dá uma inveja,
Mas, não uma inveja de tirar nada,
Não uma inveja de tomar nada,
Apenas uma espontânea admiração.
Imagem, eu, ter nascido antes,
Antes de uma Flor Bela Espanca,
E ter escrito: "MEUS OLHOS ANDAM CEGOS DE TI VER"
Ou, antes de um Castro Alves,
Ter escrito o "NAVIO NEGREIRO",
Isto significaria, uma atroz impotência,
A de ser contemporâneo da escravização,
E, mesmo apesar das lutas?
Ver irmãos humanos vendidos como mercadorias.
Tenho, infelizmente, outras impotências,
Vivi os tempos das poesias do Chico,
Cantei Roda Vida,
Cantei Cálice, sem me calar.
Tenho infelizmente outras impotências,
Cantei ", do Gil, "Super Homem, a canção",
Antes de voltar ao Gil,
Passeemos pelas dores de cantar,
Os mil tons de um Milton.
Dele, cantei as superações dos meus amores,
Cantei "TRAVESSIA",
Ainda dos mil tons,
Do Milton,
Cantei a força da mulher.
Voltando então ao Gil,
Ainda sou obrigado a cantar,
Todas as dores de um "DOMINGO NO PARQUE",
Sempre que há um feminicídio,
Ou uma outra violência de gênero qualquer.
Nestas horas, a sensibilidade de um poeta.
Simplesmente me abandonam e,
Nem sonho em ser poeta.
Anesino Sandice

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