A Indústria da Crença: Como se constrói um inimigo conveniente
Encontraram R$2.700.000,00 em espécie com um assessor de um deputado do PL — um típico “bozolóide”, como chamo os que ocupam cargos na estrutura bolsonarista. Mas, curiosamente, o corrupto continua sendo o PT.
Essa crença popular não está em debate. O que devemos — não apenas queremos — é entender os porquês e os comos dessa construção ideológica.
Tudo começa com o medo das elites. Não o medo da violência, mas o receio de que qualquer melhoria na vida da população ameace seus privilégios. Elas sabem que, como as águas correm para o mar, os ganhos dos excluídos inevitavelmente revertem em lucros para os privilegiados. E mesmo assim, resistem.
Setores da burguesia mais retrógrada — como o agronegócio e a construção civil — não são os únicos, nem inteiramente homogêneos, mas muitos se empenham em manter esse estado de ignorância. Por quê? Porque acreditam que, se os trabalhadores melhorarem de vida, buscarão educação e empregos melhores, fugindo dos setores que oferecem baixos salários e péssimas condições.
É uma visão obtusa, mas real. E para sustentá-la, essas elites precisam de aliados estratégicos. O setor midiático é crucial. Mas como convencer alguém com formação superior a ser agente da desinformação?
A resposta está em outra frente: a teologia.
Os avanços teológicos só começaram quando o Papa Pio, no início do século XX, leu Marx criticamente. Ele não aplicou suas ideias, mas abriu caminho para seus sucessores — João XXIII, Paulo VI e João Paulo I — que promoveram avanços. Mas, como na física, toda ação gera uma reação. Vieram João Paulo II e Bento XVI, que retraíram esse progresso.
Antes mesmo dessa reação, os setores mais atrasados da sociedade sul-americana importaram da Europa e dos EUA um Cristo inexistente — um Cristo cúmplice das trevas, da involução.
Foi assim que surgiram os grupos conservadores dentro da Igreja Católica, como os carismáticos, e nas evangélicas, a teologia da prosperidade, seguida pela teologia do domínio.
Em resumo: a industrialização da ignorância só é possível graças à religião. Mesmo que, em tese, ela devesse estar a serviço da evolução.

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