domingo, 29 de março de 2026

Está muito perto o fim dos sistemas de defesa israelenses.


Um mês após o início da guerra, o Irã continua lançando mísseis contra Israel. Embora os sistemas de defesa israelenses interceptem a grande maioria, começam a surgir dúvidas sobre se eles conseguirão manter esse nível de proteção em um conflito prolongado.

As forças armadas israelenses negaram recentemente que seus estoques de interceptores de mísseis estejam diminuindo, apesar do ritmo constante de ataques com mísseis iranianos ou foguetes do Hezbollah libanês.

Mas, de acordo com vários analistas, a guerra — que completou um mês neste fim de semana — está esgotando as reservas de munição de Israel, especialmente os interceptores de longo alcance necessários para neutralizar os mísseis iranianos.

O sistema de defesa aérea israelense é altamente sofisticado e opera em camadas, permitindo que ele responda a ameaças em diferentes altitudes.

Dentro desse sistema, os mísseis Arrow 2 e Arrow 3 podem interceptar projéteis fora da atmosfera terrestre.

O sistema de defesa israelense também inclui sistemas THAAD americanos.


"Não existe nenhum lugar em Israel que não esteja protegido por um sistema de defesa aérea de múltiplas camadas", afirma o Brigadeiro-General Pini Yungman, presidente do grupo TSG, uma empresa israelense especializada em sistemas de segurança.

Mas, segundo Yungman, nenhum sistema de defesa é perfeito. "Nunca se atinge 100% de eficácia." Mesmo assim, ele disse à AFP que a taxa de interceptação israelense – 92% – já é "excepcional".

Segundo as Forças Armadas de Israel, o Irã lançou mais de 400 mísseis balísticos desde o início da guerra, que foi desencadeada pelos bombardeios israelenses e americanos contra a República Islâmica em 28 de fevereiro.

Embora Israel forneça poucos detalhes sobre seus sistemas de defesa, o porta-voz militar Nadav Shoshani afirmou recentemente que a taxa de interceptação "superou as expectativas".

A maior parte dos danos relatados provém dos destroços de mísseis interceptados que caem no solo. No entanto, dos 19 civis israelenses mortos desde o início da guerra, mais da metade morreu devido a mísseis iranianos que conseguiram penetrar o sistema.

Escassez de munição?


Cerca de duas semanas após o início da guerra, o veículo de comunicação americano Semafor afirmou que Israel estava "perto de ficar sem interceptores de mísseis balísticos".

Uma fonte militar israelense negou essa informação, afirmando que "por enquanto" não havia escassez e que o país estava preparado para um conflito prolongado.

Segundo uma análise recente do centro britânico RUSI, os Estados Unidos, Israel e seus aliados consumiram quantidades enormes de munição, tanto ofensiva quanto defensiva, durante os primeiros dezesseis dias da guerra: 11.294 unidades, num valor total de 26 bilhões de dólares.

O relatório observa que, após essas duas primeiras semanas, os interceptores de longo alcance e as munições de alta precisão estavam "quase esgotados".

"Isso significa que, se o conflito continuar, as aeronaves [israelenses e americanas] serão forçadas a penetrar mais profundamente no espaço aéreo iraniano para realizar suas operações", disse à AFP a tenente-coronel americana Jahara Matisek, coautora do relatório.

"E, na frente defensiva, Israel teria que absorver um número maior de mísseis e drones lançados pelo Irã", acrescenta.

Além disso, os prazos e custos de produção são muito elevados, especialmente no caso de interceptores como o Arrow israelense.

O relatório do RUSI estima que Israel já tenha utilizado mais de 81% de seus mísseis interceptores Arrow desde o início da guerra.

Segundo o documento, os estoques podem se esgotar completamente antes do final de março se o ritmo atual continuar.

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