Na próxima quarta-feira, 01/04/26, nossas memórias se voltarão para uma lembrança dolorida e dolorosa. Dolorida, porque corpos foram feridos e vidas ceifadas sob a tortura de homens que se reivindicavam humanos. Dolorosa, porque essa pretensão de humanidade ainda encontra eco em pessoas que, mesmo de “boa índole”, se deixam seduzir por discursos que justificam a barbárie.
Ainda que eu não possa estar presente, escrevo esta crônica como um convite explícito aos paulistanos: amanhã, 29/03, às 15h, todos na rua Tutóia, em frente à 36ª Delegacia de Polícia. Ali funcionou a antiga OBAN – Operação Bandeirante, onde corpos foram torturados e executados.
O golpe militar ocorreu oficialmente em 31/03/1964. Os generais atrasaram seus relógios apenas para mascarar a data, tentando dar aparência de legitimidade a um ato que não tinha legitimidade alguma. Chamaram-no de “revolução”, porque golpe não gera direito, e precisavam de outro nome para buscar reconhecimento internacional e perpetuar-se no poder.
O objetivo desta crônica é claro: convocar à memória e à resistência. O risco do retorno do passado é real. Sessenta e dois anos depois, vimos outro golpe em abril de 2016, que, assim como o de 1964, extinguiu direitos e atacou a brasilidade. O golpe de 64 foi, na verdade, a aplicação da Doutrina Monroe, que reduzia o Brasil ao papel de quintal do Tio Sam.
Este ano teremos eleições gerais. Além da presidência, serão renovados governos estaduais, todos os deputados estaduais e federais, e dois terços do Senado. Mesmo quando não há grandes diferenças de propostas, a eleição é sempre oportunidade de voz: no Congresso, podemos ou não ter representação.
O Brasil pode continuar a ser reconstruído ou pode ser devolvido à condição de quintal. Para evitar retrocessos, é essencial garantir a eleição de candidatos progressistas, tanto nos estados quanto nos parlamentos.
Os últimos quatro anos mostraram absurdos que dariam asco se listados. A CPMI do INSS foi um espetáculo grotesco, mas não foi exceção. Há vereadores defendendo interferência externa no país, deputados estaduais transformando o parlamento em palco de “TikTok” e discursos sobre Pix, débito e crédito.
A vergonha não é apenas dos parlamentares, mas também dos eleitores que escolhem propostas do tipo “pior que está não fica”. Fica, sim, e piora. Votar em quem ensina “depilação anal” não é conservadorismo; é apenas ridículo. Ser homofóbico não é conservadorismo, é ignorância. A história mostra que a diversidade sempre esteve presente em todas as sociedades humanas.
Não há nada de “fobia” nesse ódio; há manipulação política que se aproveita da ignorância popular. Para superar essa ignorância, algumas lições são básicas. A primeira e mais importante: não existe cristão conservador.

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