quinta-feira, 26 de março de 2026

Tomo MMCLX Novos verbetes: Bolzônomo & Idiotônomo


São variações de mitonômo, termo derivado de mitomania — a compulsão por mentir. Por extensão, designam o universo do bolsonarismo, que se organiza em três camadas bem definidas:

1. Os bozos – a base, composta pelos seguidores fiéis.

2. Os bozolóides – aqueles que jamais seriam bozos, mas cuja existência é necessária para preencher cargos e funções que os bozos, em número reduzido, não conseguiriam ocupar.

3. Os bolzônomos e idiotônomos – a elite da desinformação, que sustenta o sistema e garante sua reprodução.

Um exemplo claro é o atual desgovernador de São Paulo. De militar em missão de paz no Haiti — marcada por denúncias de abusos abafadas pelo corporativismo — passou a ocupar cargos estratégicos em governos progressistas, como no DNOCS durante a gestão Dilma. De burocrata de obras alheias, virou ministro da infraestrutura e, por fim, governador-turista, mais preocupado com palanque e boné de campanha do que com a defesa dos interesses do Estado.

Esse personagem não é um bozo, mas sim um bozolóide: integrante da casta que usufrui de cargos e salários pagos por todos nós, inclusive por quem ainda tem dois neurônios ativos.

A massa desinformada

Essas camadas só existem para alimentar uma massa de pessoas desinformadas, que se satisfaz com a própria ignorância. Entre elas estão:

Cristãos que entregam dízimos a pastores que, muitas vezes, são apenas idiotas que deram certo.

Patriotários que desfilam bandeiras dos EUA ou de Israel, como se fossem símbolos nacionais.

Os idiotônomos e bolzônomos têm uma lógica peculiar: diante de um escândalo de milhões envolvendo um assessor de deputado bolsonarista, a reação imediata é perguntar: “E o PT?”.

Na sua ignorância, acreditam que pagar R$6,00 pelo óleo de soja hoje é melhor do que os R$13,00 dos tempos do “mito”. Para eles, censura é democracia e democracia é ditadura. Corrupção só é condenável quando não vem de seus ídolos.

A felicidade da ignorância

No fim, esses grupos vivem felizes. Não pela ignorância em si, nem pelo fato de ela custar caro ao bolso — hoje e para as gerações futuras. São felizes porque sempre encontram um culpado: o conjunto de pessoas que lê, que pensa, que questiona.

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