terça-feira, 31 de março de 2026

TOMO MMCLXVI PREFIRO UM MILICIANO

OS MILICIANOS SÃO EXEMPLOS DE HONESTIDADE

“Prefiro um miliciano, os milicianos são exemplos de honestidade.” Essa frase, dita com convicção, não é apenas um pensamento isolado, mas um retrato da complexa relação entre fé, política e manipulação social. Nesta crônica, conto um episódio que revela como discursos religiosos e políticos se entrelaçam para moldar percepções e justificar absurdos.

A Cena no Açougue

Era um dia comum, 30 de março de 2026, quando entrei no açougue da esquina. O açougueiro, homem simples, autodeclarado cristão e bolsonarista, atendia com a habitual pergunta: “O que o senhor deseja?”. Respondi, e logo a conversa tomou um rumo inesperado. Ele, com firmeza, afirmou que preferia milicianos, pois, segundo ele, eram mais honestos que traficantes. Ao lado, um cliente assistia a um canal progressista no YouTube, rindo da acusação de que Lula seria aliado de criminosos. Curioso, percebi que, apesar das diferenças, ambos compartilhavam a mesma lógica: a defesa da milícia como alternativa moral.

A Manipulação da Fé

Leonel Brizola já alertava que “no dia em que os evangélicos entrarem na política, será o caos”. O caos, porém, não está na presença deles, mas na manipulação da fé por líderes e grupos políticos. A falta de leitura crítica e a incapacidade de entender as nuances transformam a religião em ferramenta de poder, onde o discurso simplista e maniqueísta ganha força.

A Carne Mais Barata do Mercado

Elza Soares cantava que “a carne negra é a mais barata do mercado”. Essa frase ecoa a dura realidade das periferias brasileiras, onde negros e pardos são as principais vítimas da violência. Muitas vezes, quem mata é o próprio Estado, seja por ação direta ou pela omissão em políticas públicas. Nas áreas nobres, a abordagem policial é outra, revelando a desigualdade estrutural que permeia o país.

O Voto Evangélico

Assim como a carne, o voto evangélico é tratado como “o mais barato do mercado”. Pastores convencem seus fiéis de que milicianos são honestos e que qualquer crítica é crime. O voto, portanto, é capturado por narrativas simplistas, sem espaço para reflexão ou questionamento.

Raízes Antropológicas

Essa incapacidade de leitura crítica não é nova. Por séculos, a população foi ensinada a não ler, nem mesmo os textos religiosos que prometiam um Messias libertador. Essa ignorância histórica cria o terreno fértil para o “cristão conservador”, que se submete a discursos entreguistas e interesses externos.

Conclusão

Enfim, testemunhamos como religião, política e desigualdade se entrelaçam num ciclo vicioso de manipulação. O discurso que exalta milicianos como honestos não é apenas absurdo, mas perigoso, pois legitima a violência e a submissão do Brasil a interesses alheios. O desafio que fica é romper com a alienação e resgatar a leitura crítica como caminho para a emancipação social.

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