Uma investigação do The Wall Street Journal revelou que um ex-executivo sênior da petrolífera americana Chevron aconselhou confidencialmente a Agência Central de Inteligência (CIA) sobre a situação política na Venezuela e sobre possíveis figuras para liderar uma transição após a queda do governo de Nicolás Maduro .
Segundo o relatório, o empresário do petróleo Ali Moshiri, que durante anos foi um dos principais representantes da empresa na Venezuela, manteve contatos com a agência de espionagem dos EUA e forneceu sua avaliação sobre o equilíbrio político no país caribenho.
Segundo as fontes citadas, Moshiri alertou a CIA de que uma tentativa de instalar no poder a oposição liderada por María Corina Machado poderia levar a um cenário de instabilidade comparável às intervenções de Washington no Iraque, visto que a líder não tinha apoio suficiente dentro das forças de segurança nem controle sobre a infraestrutura petrolífera do país.
Em vez disso, o ex-funcionário teria sugerido manter Delcy Rodríguez, então uma colaboradora próxima de Maduro e responsável pela gestão econômica do governo, no poder temporariamente. Essa recomendação foi posteriormente incluída em uma avaliação secreta da CIA apresentada ao presidente dos EUA, Donald Trump, de acordo com o relatório.
Horas depois de as forças especiais americanas sequestrarem Maduro, Trump expressou publicamente argumentos semelhantes, afirmando que seria "muito difícil" para Machado assumir o poder, considerando que ela não tinha o apoio necessário dentro do país.
A revelação sobre o papel de Moshiri esclarece como o governo Trump combinou avaliações de inteligência com critérios pragmáticos do setor energético para definir sua estratégia em relação à Venezuela.
Coincide também com um momento em que a Chevron, que manteve presença no país durante anos de instabilidade política, poderia expandir suas operações caso a indústria petrolífera venezuelana seja totalmente reativada.
Em um comunicado citado no relatório, a Chevron afirmou que, entre 2025 e a saída de Maduro, não autorizou nenhum funcionário ou representante da empresa a colaborar com a CIA em avaliações da liderança venezuelana e assegurou que não tinha conhecimento prévio da operação que levou à deposição do presidente.
A empresa também afirmou que atualmente não possui nenhuma relação comercial — formal ou informal — com a Moshiri.
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