"O que se esquece não é o berço, é a realidade."
Sim, houve planos antes — os famosos planos plurianuais da ditadura militar — inclusive com a ousadia de projetar uma bomba atômica. Curiosamente, como os EUA se recusaram a compartilhar essa tecnologia, o Brasil recorreu à Alemanha e, com apoio técnico do Instituto de Energia Atômica da USP, o projeto avançou. Mas foi sepultado no governo FHC.
E aqui começa a dubiedade: se o projeto tivesse seguido adiante, talvez o Tio Sam pensasse duas vezes antes de interferir em nossa soberania. Mas será que isso nos tornaria realmente livres?
Apesar do planejamento e da criação de um colchão econômico que estabilizou o país sem ruptura — embora eu pessoalmente defendesse a ruptura — é preciso lembrar que, para isso, nosso arsenal precisaria incluir aquele artefato nuclear que FHC abandonou.
Nos anos 60, não confiávamos nos militares, e víamos a bomba como um risco desnecessário. Em tese, apoiamos o sepultamento do projeto. Mas os fatos que se seguiram mostram que a extrema direita brasileira não só enterrou o projeto atômico, como também sabotou o sonho de soberania nacional.
Destruíram nossa indústria da construção civil, o projeto naval, e o financiamento desses sonhos: o Pré-Sal. Mesmo diante de obstáculos, a engenharia brasileira encontrou soluções. Mas tudo foi entregue — de mão beijada — aos interesses estrangeiros.
Os EUA seduziram a “turma da farsa-jato”, que criminalizou quem ousava sonhar com um Brasil soberano. A pergunta que um brasileiro autêntico faria é: qual argumento foi forte o suficiente para enganar uma nação por mais de uma geração? A resposta: o velho medo do inexistente, a tal ameaça comunista.
Com medo, o povo corre — quase sempre para o abismo — fugindo da sombra da árvore que poderia protegê-lo.
O colchão ignorado é que o Brasil só suportou a tragédia da desgestão do “cara do posto” graças à poupança externa construída pelos governos progressistas. Essa estrutura foi desmontada pela republiqueta de Curitiba, com o apoio da mídia entreguista e o aplauso dos mercadores da fé — que sabem que igrejas lotadas dependem de ilusões maiores que as certezas

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