O astronauta da Terra plana e a boiada no Congresso
Tá bem, vai. O Brasil tem um astronauta. Um cara que orbitou a Terra. E aí vem a pergunta inevitável: como é que alguém orbita algo plano? Não dá, né? Ninguém orbita uma pizza.
E é aí que mora a contradição. Se o sujeito orbitou o planeta, ele sabe que a Terra não é plana. Mas calma, não estamos aqui pra discutir geografia. O papo é outro: eleições. E não qualquer eleição.
A conversa é sobre o risco real de gente que acredita em absurdos — tipo Terra plana — ocupar cadeiras no Congresso. Não é só impedir que essa turma chegue ao Planalto. É impedir que eles tenham broches que abrem portas e dão direito de legislar pra todos nós.
Aliás, você lembra de algum projeto de lei relevante apresentado por um defensor da Terra plana? Pois é. Nem eu.
E mesmo sem legislar, essa galera recebe salário de elite, com benefícios que eles fazem questão de negar pra quem realmente precisa. Não pra todo mundo, claro. Só pra quem depende.
A verdade é que não são só os terraplanistas. Tem uma penca de gente que defende outras “absurdices” e disputa eleição pra virar parlamentar. Adoram os privilégios. E mais: abrem caminho pra boiada passar.
E aqui, atenção: “boiada” não tem nada a ver com “gadaiada”. Essa última foi dita por quem nomeou o astronauta da Terra plana como ministro da Ciência e Tecnologia. O mesmo que hoje tá preso por uma das muitas falcatruas.
Um dos filhos dele foi processado por traição à pátria. Nenhum dos outros contesta. E mesmo assim, um deles ainda tem apoio da mérdia e é cotado pra presidência.
Você pode até dizer: “Num país onde um garoto como Ícaro Siqueira Maciel ganha medalha de ouro em olimpíada de astronomia aos quinze anos, não vamos cair de novo na lábia de ladrão de joias.”
Mas eu te respondo, com tristeza: o roubo das joias não vai ser julgado. E muito menos o caso da fantástica fábrica de chocolates.
Só que o problema maior nem é a quase certa derrota do chocolateiro. É a quantidade de votos que ele vai arrastar pro Congresso.
Quantos vão entrar lá pra usufruir dos privilégios, esquecer que parlamentar tem duas funções: legislar e fiscalizar. E trocar isso por cortes de vídeo pras redes sociais.
Cortes que os transformam em “galos de briga”, munidos de uma imunidade que mais parece impunidade. Acusam sem prova, sem propósito — só pra viralizar.
E mais: inventaram uma nova função no Congresso. Não tá na Constituição, mas deram um jeitinho legal. Reinstalaram as “Arenas do Império Romano”.
Com emendas parlamentares, patrocinam shows de artistas famosos que custam mais que o orçamento inteiro de alguns municípios.
E antes que alguém diga que município pequeno não tem peso na eleição, eu respondo: lembra do alcance da propaganda.
Porque no fim das contas, não é só sobre quem ganha. É sobre quem entra. E o que faz depois de entrar.
ASAS
Laureado, com as asas de ícaro,
Mas, não de cera,
Já que as asas deste ícaro,
Não se derretem ao Sol.
Os Ícaros das asas do saber,
Têm, além da tempera do aço,
Todas as extensões dos sonhos.
Assim é o Brasil,
No mesmo Brasil,
Que se nega a ciência,
Negando com isto saberes,
Saberes entre nós , a séc,
Este mesmo Brasil tem os feitos de um ícaro .
Anesino Sandice

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