domingo, 28 de junho de 2026

TOMO MMCCLIV TRAIÇÃO ASSUMIDA


Das primeiras vezes que ouvi falar do então “desdeputado”, hoje presidiário, o espanto foi imediato: como alguém assim poderia ser eleito? O termo cidadão carregava, à época, o peso da “otoridade” — alguém que, mesmo exalando ignorância, exercia um cargo público e achacava o poder.

Décadas se passaram até aquele fumestro 8 de janeiro de 2023, quando milhões de “cidadãos brasileiros” mostraram que talvez fosse preciso redefinir o que é ser cidadão. Afinal, cidadão é aquele que cumpre seus papéis constitucionais: paga impostos, respeita as leis e vota. Até então, reconhecer os resultados de uma eleição era algo automático.

Era automático — até aquele 8 de janeiro.

Sempre consideramos os bozos dotados de uma esperteza ímpar, sustentada pela falta de capacidade cognitiva de parte da população, especialmente aquela que enriquece pastores e falsos profetas. Julgávamos que quem votava no bozo era desprovido de inteligência, enquanto os próprios bozos eram espertos o suficiente para se darem bem sem ter nada a oferecer.

Depois da frustrada tentativa de golpe, vimos os bozolóides — aqueles que mamam nas tetas da burrice coletiva — incentivarem abertamente a invasão, mas sem aparecer. Protocolaram, no entanto, uma Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CMPI) que inevitavelmente revelaria a articulação dos seus, inclusive do próprio bozo.

Até então, acreditávamos que a burrice se limitava à disputa eleitoral. Mas, com o julgamento da cúpula golpista, inclusive do ex-presidente, a parte mais próxima da família começou a articular uma pressão externa contra o processo — um movimento que passou a aparentar traição à pátria.

E o “aparentar” perdeu as aspas quando o filho “rachadinheiro” ofereceu nossas terras raras durante um congresso da extrema direita. O cenário ganhou contornos ainda mais graves quando se descobriu o uso de CPF para acessar servidores e mendigar uma foto com o chefe do império do mal.

Aí, chega uma carta — e o silêncio da vergonha nacional se instala.


POESIA CAPACITISTA 

Sempre me recusei, 

A ser um contador de piadas,

Já, que estas, sempre foram capacitistas,


Nunca, no entanto, me recusei a fazer piadas!


Então, uma piada, do séc passado, 


"O celular toca num quarto de motel,

O marido atende surpreso:

Como é que me achastes aqui no motel,

Com sua prima?"


Falei, ainda que tenha omitido a identificação, 

Na vida real, os bolzominiuns, 

Marcaram pela Internet  

A festa da Selma, ah, selma, o som, de selva.


Na justificativa, a ida era uma manifestação pacifista, 

Só  que usaram o CPF, para "logar" 

Nos servidores dos três poderes, 

E de lá, mostrassem as inexistentes bíblias.


Confesso, até então, era difícil falar em falta de inteligência. 


Afinal, as justificativas para o voto no bozo,

Careciam de justificativas.


Anesino Sandice

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