segunda-feira, 22 de junho de 2026

TOMO MMCCL Discursos & Referências

Certamente, não dei um Google — e nem o farei. Não por falta de curiosidade sobre a veracidade dos fatos, mas porque a cena, infelizmente, não é novidade. A direita sempre vende moralidade, mesmo quando ela não existe.

Por falta de provas, não acuso ninguém. Mas, se alguém quiser “dar um Google”, procure pelo discurso de Renato Freitas na Assembleia Legislativa do Paraná. O episódio é apenas mais um capítulo de uma longa história de contradições morais.

Durante a ditadura militar, o Brasil já conhecia bem esse tipo de retórica. Em São Paulo, havia um político famoso pelo lema “rouba, mas faz” — e o erro de grafia é proposital. A expressão, aliás, foi “roubada” de outro político moralista, defensor do golpe de 1964, que chamava a ditadura de “revolução”. O golpe, travestido de moralidade, dizia combater uma ameaça comunista inexistente. Jango, afinal, era um nacionalista populista, não um comunista. Mas, no discurso, isso pouco importava.

O tal político do “rouba, mas faz” acabou cassado por corrupção. Sua casa foi invadida por um grupo de guerrilha urbana, que substituiu uma quantia de duzentos mil dólares por notas falsas — um episódio real, que expõe o paradoxo entre moralidade e poder.

Anos depois, ao mencionar esse fato em uma crônica, fui bloqueado por um familiar do ex-presidente que apoiava aquele político. Talvez por vingança, talvez por ignorância — afinal, durante a ditadura e sob censura, muitos não tinham acesso à verdade.

Naquele tempo, eu já militava em grupos clandestinos. E não nego. Ou se fazia parte da resistência, ou se aplaudia militares que assassinavam brasileiros em nome do “império do mal”.

O roteiro histórico se repete. Na época do golpe, Jango estava em missão oficial na China. Hoje, ironicamente, a China é nosso maior parceiro comercial. E os mesmos moralistas que defendem que o Brasil continue colônia do “império do mal” — ainda que os tanques não desfilem mais pelas ruas — seguem alimentando o mesmo discurso.

Poucos sabem, ou preferem não saber, que os tanques usados no golpe eram brasileiros, mas o combustível veio de navios petroleiros norte-americanos que atracaram no Porto de Santos. Era o apoio logístico à “revolução moral” que prometia salvar o país da corrupção — e acabou institucionalizando-a.

No fundo, tudo continua como antes no país de Abrantes.
A moralidade segue sendo mercadoria, e o discurso, apenas mais uma forma de poder.

CORRUPÇÃO POLÍTICA 


Cenário, púlpito de uma assembleia,

A cena, assim como o cenário,

Era protocolar, um inflamado discurso, 

Alguém de direita, esbraveja.


A cena assim como o cenário,

Era protocolar, um discurso inflamado,

Destinado os xingamentos, ao presidente. 


Nem o discurso, é novidade, novidade, a resposta. 


Alguém ocupa o púlpito e responde:

O senhor, ah, quem quiser saber,

Dê um Google. 


Anesino Sandice

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