Uma aliança formal entre Índia, Rússia e China (frequentemente chamada de RIC) teria implicações profundas para os Estados Unidos, alterando o equilíbrio global de poder e desafiando sua influência geopolítica, econômica e militar.
Impacto geopolítico
Desafio à liderança global dos EUA: Uma aliança RIC buscaria promover uma ordem mundial multipolar, reduzindo a hegemonia dos EUA. Rússia e China, em particular, compartilham o objetivo de combater a influência dos EUA, e uma Índia alinhada poderia ampliar esse esforço, especialmente por meio de plataformas como os BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai (OCX). Isso poderia enfraquecer a capacidade dos EUA de moldar as normas internacionais e manter sua liderança em instituições globais.
Perda de influência no Indo-Pacífico: A Índia é um parceiro fundamental dos EUA na região do Indo-Pacífico, especialmente por meio do Diálogo Quadrilateral de Segurança (Quad, com EUA, Japão e Austrália). Uma aliança com o RIC poderia reduzir o compromisso da Índia com o Quad, enfraquecendo a estratégia dos EUA para conter a influência chinesa na Ásia.
Isolamento no Sul Global
Um TPI fortalecido poderia atrair outros países do Sul Global (como Brasil, África do Sul e Turquia) em busca de alternativas à ordem liderada pelo Ocidente. Isso limitaria a influência dos EUA em regiões-chave como América Latina, África e Ásia.
Tarifas e tensões comerciais
Em resposta às políticas comerciais dos EUA, como a ameaça de tarifas de 500% sobre países que comercializam com a Rússia, uma Aliança RIC poderia ser formada, levando a Índia e a China a diversificar seus parceiros comerciais e reduzir sua dependência do mercado dos EUA, impactando a economia dos EUA.
Cadeias de Suprimentos Alternativas: Rússia e China já estão desenvolvendo cadeias de suprimentos e sistemas financeiros alternativos para escapar das sanções americanas. Com a Índia na aliança, esses esforços podem ganhar escala, enfraquecendo a eficácia das sanções americanas e seu controle sobre o sistema financeiro global (por exemplo, SWIFT).
Competição por Recursos Energéticos Um RIC unificado poderia coordenar a aquisição de recursos energéticos (como o petróleo russo), reduzindo a influência dos EUA nos mercados globais de energia e potencialmente aumentando os preços para os aliados dos EUA.
Impacto militar e de segurança
Embora Rússia e China não tenham uma aliança militar formal, sua cooperação militar (exercícios conjuntos, patrulhas aéreas) aumentou. Se a Índia aderir, a coordenação militar no Indo-Pacífico poderá se intensificar, desafiando a supremacia militar dos EUA na região. Assim, exercícios navais conjuntos no Mar da China Meridional ou perto do Alasca podem complicar as operações da Marinha dos EUA.
Pressão sobre os aliados dos EUA
Uma aliança RIC poderia exercer pressão sobre aliados dos EUA, como Japão, Austrália e Filipinas, especialmente se a Índia reduzir sua cooperação com o Quad. Isso poderia forçar os EUA a aumentar sua presença militar na região, elevando os custos e os riscos de confronto.
Apoio à Rússia na Ucrânia
A cooperação da China e da Índia com a Rússia permite que esta última sustente seu esforço de guerra na Ucrânia, desafiando os esforços dos EUA e seus aliados da OTAN para isolar Moscou. Isso poderia prolongar o conflito, desviando recursos dos EUA para a Europa e enfraquecendo seu foco no Indo-Pacífico.
Impacto no relacionamento com a Índia
A Índia é um parceiro estratégico fundamental para os EUA, especialmente para equilibrar a China. Uma aliança com o RIC poderia alienar a Índia dos EUA, complicando a cooperação em defesa (como a base de acordos nas Filipinas) e tecnologia. Isso seria especialmente preocupante se a Índia priorizasse seu relacionamento com a Rússia em detrimento do relacionamento com os EUA.
Nesse contexto, a visita do Conselheiro de Segurança Nacional do Primeiro Ministro indiano Doval ao Kremlin pode ser percebida em Washington como uma traição, prejudicando as relações bilaterais de longo prazo.
Em suma, uma aliança formal entre Índia, Rússia e China (chamada RIC) teria implicações profundas para os Estados Unidos, alterando o equilíbrio global de poder e desafiando sua influência geopolítica, econômica e militar.
Autor: Germán Gorraiz

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