A febre das concessões e a fabricação de desempregados
Sempre que ouço falar em avanços tecnológicos, me vem à mente uma pergunta incômoda: para onde vão os desempregados? Os entusiastas da inovação respondem com o velho mantra: “Serão absorvidos pelas indústrias tecnológicas.”
Confesso: já vi esse filme.
Fui um velho — ou “idoso”, como gostam de frisar os etaristas — e, a esses, respondo com outra pergunta: em que isso impede novas privatizações? Se depender das burguesias sedentas por lucro, em absolutamente nada.
Na nova onda de concessões rodoviárias, o bozolóide que ocupa o mais alto cargo do estado com o maior PIB do Brasil, o trágico-turístico Tarcínico de Freitas, ampliou a malha concedida. Um negócio “fantástico”: o Estado banca as indenizações e as obras, e os burgueses lucram com praças de pedágio.
Claro, há quem defenda que, sem concessão, quem não tem carro paga pela manutenção das estradas. Mas será que existe alguém que não consome produtos transportados por essas vias? A discussão é ampla — e legítima.
Antes que alguém invada esta crônica com a ladainha de que governos petistas também fizeram concessões (das quais sou crítico), lembro que nunca houve maioria parlamentar, tampouco revolução socialista. Mesmo com gestões progressistas e traços de humanismo, o Estado continua burguês.
Voltemos à febre das TAGs. O desgovernador trágico quer bater recordes em concessões, agora com um novo modelo: o tal “free flow”, que dispensa praças de pedágio.
No sistema Anchieta-Imigrantes, por exemplo, a cobrança será automática, sem cabines. A justificativa? Reduzir filas e acelerar o acesso ao litoral. Mas a redução de postos de trabalho nas praças de pedágio, antes compensada por novas praças em outras regiões, agora não tem para onde ir.
A pergunta persiste: para onde irão os trabalhadores demitidos com esse novo modelo? Serão realocados em qual praça? Um muro caído só é reconstruído se der lucro à burguesia.
E o caos não tardou. No carnaval de 2026, o congestionamento estava justamente nas cabines de cobrança automática. A população é empurrada a adquirir TAGs, enquanto lida com o despreparo da desgestão do desgovernador — que, aliás, apesar de ocupar o mais alto cargo de um bozolóide, já foi descartado.

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