terça-feira, 26 de agosto de 2025

Parlamentares argentinos reabrem investigação sobre golpe com criptomoedas

A Câmara dos Deputados da Argentina reativou hoje a comissão investigativa sobre o megagolpe das criptomoedas promovido pelo presidente Javier Milei, um escândalo que também envolve sua irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei.

Esta é outra frente que o Congresso abriu contra o poder executivo, que agora enfrenta talvez o pior escândalo desde sua posse em dezembro de 2023, devido à coleta de propinas para a concessão de contratos multimilionários de medicamentos da Presidência para a Agência Nacional para Pessoas com Deficiência (ANDIS).

Esse negócio beneficiou a Droguería Suizo Argentina SA, que forneceu o dinheiro para as doações distribuídas, entre outros, a Karina, que recebeu a maior quantia, e seu assessor político próximo, Eduardo Menem, de acordo com gravações do agora ex-diretor da ANDIS, Diego Spagnuolo.

O painel de investigação sobre o golpe das criptomoedas foi interrompido devido a táticas de atraso adotadas por legisladores aliados ao poder executivo, o que impediu a nomeação de seus diretores.

Agora, a ampla oposição, que inclui parlamentares dissidentes de La Liberad Avanza e do PRO, conseguiu que a liderança da Comissão caísse nas mãos de um deles, e pretende que a presidente seja a deputada Sabrina Selva, da Frente Renovadora da União pela Pátria, o que será definido na quinta-feira.

O painel sobre o escândalo das criptomoedas busca demonstrar a responsabilidade política direta do presidente Milei na promoção do token $Libra, que fraudou centenas de investidores ao redor do mundo em milhões de dólares.

Os deputados também buscarão apurar o papel da Secretária-Geral da Presidência, Karina Milei, e de outras figuras do executivo nesse esquema fraudulento.

Os deputados também se reuniram nesta terça-feira para discutir o caso das 96 mortes causadas pelo fentanil contaminado com uma bactéria que causa pneumonia mortal e deliberam sobre quatro projetos de lei para criar uma Comissão de Inquérito.

Da mesma forma, em uma sessão plenária de comissões do Congresso sobre o escândalo de corrupção que atenta contra a moralidade institucional do governo, os deputados convocaram o ministro da Saúde, Mario Lugones, e o inspetor nomeado pela Casa Rosada na ANDIS para interrogatório, mas nenhum dos dois compareceu.

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