quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

TOMO MMCXXVI CIÊNCIA & INCONSCIÊNCIA


Antes mesmo de conhecer a escola, chegou em casa um presente curioso: um despertador com calendário, vindo do Japão — aquele mesmo Japão que, nos discursos da época, integrava o “eixo do mal”. O detalhe mais intrigante era que o dia mudava ao meio-dia, não à meia-noite. Pequena máquina, grande símbolo de um mundo que já se transformava.

Nos anos cinquenta, a verdade do mundo parecia ter virado de ponta-cabeça, mas a velha piada sobre a “coberta curta” que Cabral puxou sobre o Brasil continuava a mesma.

Vieram os anos sessenta: escola e golpe. Patriotismo, em terras Brasilis, significava aplaudir os presentes enviados pelo “bondoso” Tio Sam. Não sabíamos nada sobre balança de pagamentos, mas já éramos viciados em uma realidade inventada. Alguns diriam que éramos felizes e não sabíamos; na prática, éramos bolzominins antes do tempo.

Logo ouvimos falar em “prêmio Nobel”: havia para poeta chileno, escritor argentino, até peruano. O Brasil, porém, só sabia bater palmas para o Tio Sam. Nossos cientistas participavam de descobertas, mas sempre em equipes ianques. No cinema, a Vera Cruz tentou existir, mas Hollywood era quem ditava o que era relevante. Resultado: enquanto a Argentina condenava seus golpistas, no Brasil torturador virou herói — até presidente e, depois, presidiário.

Chegou o século, virou o milênio. As conversas da minha mãe, de que a humanidade não chegaria ao ano 2000, se revelaram apenas um susto tecnológico: a crise dos chips de memória. No Brasil, porém, aconteceu o “impossível”: um operário metalúrgico, sem pedigree político, chegou à presidência. Luiz Inácio Lula da Silva, sem experiência em gestão pública, fez o PIB saltar, reduziu a dívida externa e mostrou que não era preciso ser comunista para participar da política. Mas os defensores da bandeira com cinquenta estrelas não aceitaram: arquitetaram outro golpe, desta vez sem tanques, apenas com a astúcia de um marreco.

O mesmo operário venceu o golpe e voltou ao poder. E novamente, a sorte de principiante pareceu acompanhá-lo: inflação em queda, desemprego recuando, PIB em alta. Pasmem: não é o real que se valoriza, é o dólar que despenca.

Para completar o desconforto dos patriotas do Tio Sam, surgem duas descobertas de cientistas brasileiras — sim, brasileiras — com potencial de render ao país um Nobel de Medicina.

Assim, meu caro presidente, irmão do estimado Frei Chico, sua sorte de principiante parece ser uma fonte inesgotável. Sorte que, no Brasil, insiste em se renovar.


SORTE DE NÃO PRINCIPIANTE 


Engraçado, ops,

Quase escrevi "ingraçado",

Era assim que falava,

Nos tempos de criança,

Ah, também, não era assim!


Era ansim!


O tempo passa, com ele, 

Aquilo que era real,

Era só aparência.


A seda "made in" Inglaterra,

Era na verdade chinesa,

O gabardine, com o mesmo "made",

Vinha mesmo era da Índia,

Com mão-de-obra, análoga à escravidão.


Isto mesmo, capitaneada pela mesma nação,

Que impôs o da escravização.


No Brasil, terra das incompetências,

Patriotismo, era defender o Tio Sam,

Da Europa, só da parte não contaminada.


Contaminada pelo comunismo russo.


Anesino Sandice

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