Quando estas crônicas ainda buscavam “desemburrecer”, fizemos um trocadilho com as iniciais “JB”, que não eram de Jair. À época, já circulavam informações jornalísticas de que um dos hoje condenados pelo assassinato de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, tinha relação com o crime, protegido por redes de poder que envolviam tanto o governo do Rio quanto o Planalto, em proximidade com as milícias.
Desde 2018, ano marcado por tragédias e pela sombra do golpe de 2016, o Brasil viveu a entrega de riquezas estratégicas, como o Pré-Sal, e a tentativa de destruição do PT. Esse processo abriu espaço para um vácuo político: o PSDB, apêndice do MDB, não se consolidou, e o desgaste do PT permitiu que um ex-militar, com ligações às milícias, herdasse a presidência. Nesse contexto, Marielle, jovem liderança popular, passou a incomodar diretamente os grupos armados. Sua morte foi seguida por investigações frágeis e omissas.
Durante os quatro anos de desgoverno, a Polícia Federal foi alvo de suspeitas de interferência e destruição de provas. Nas eleições de 2022, apesar de irregularidades como uso abusivo do cartão corporativo e manobras econômicas, o “capitão” foi derrotado. Restava concluir as investigações, dificultadas por anos de obstrução.
Ontem, o veredito foi pronunciado: setenta e seis anos de prisão. A condenação não devolve a vida de Marielle, mas representa um marco. Homens brancos e ricos foram responsabilizados pelo assassinato de uma mulher negra e periférica. É uma vitória da justiça e da memória, ainda que tardia.

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