terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

TOMO MMCXXIV – O SABOR DA IGNORÂNCIA


Vi isso em Matrix: “A ignorância é uma bênção.” E, de fato, há momentos em que me sinto abençoado por ignorar certos saberes inúteis.

Não sei nada — absolutamente nada — sobre celebridades. Ignoro com prazer as fofocas e os produtos da lucrativa indústria da futilidade. Também não sigo os ditames da moda: visto o que me cai bem, sem me preocupar com tendências. Quanto aos modismos linguísticos… melhor deixar pra lá.

Se por um lado escolho ignorar ignorâncias, por outro estou a unidades astronômicas de compreender o papel insignificante da humanidade neste vasto universo — um universo que setores não sábios da própria humanidade insistem em ignorar e destruir.

A ignorância, claro, gera degradação. E essa degradação, via de regra, se volta contra nós mesmos. No início do terceiro milênio da era cristã, vemos o Cristo — cultuado pela essência conservadora do cristianismo — ser usado como escudo para negar seus próprios ensinamentos.

Estamos em pleno Carnaval, festa pagã que certamente não existia quando o Império Romano invadiu a região da atual Palestina. Segundo o convertido apóstolo Paulo, os soldados romanos deveriam abandonar as orgias sexuais — e, ao que consta, não havia mulheres nas fileiras. Os religiosos conservadores ignoram convenientemente a conversão de Constantino, assim como ignoram que foi o povo hebreu quem impôs a execução de Cristo.

Vivemos o culto à ignorância travestida de sabedoria. Uma sociedade que ignora suas próprias ignorâncias e as rotula como saberes supremos. Nesse cenário, a intolerância religiosa ocupa o topo do pódio.

A distância entre o sermão do bom samaritano e os dias de hoje é abissal. Mesmo que eu ignorasse essa distância, é evidente que muitos conservadores ignoram até outras denominações da mesma fé — de olho nos dízimos espoliativos.

Costumes fabricados sob medida para garantir a sobrevivência do reino da ignorância. Essa ignorância sai dos púlpitos religiosos, invade os palanques eleitorais e, claro, ocupa os comandos das casas legislativas e executivas. Quando o governo vira desgoverno, entra em cena a “fantástica rede de ignorâncias”.

Para que essa rede domine o pensamento da sociedade, os saberes científicos são descartados. Em seu lugar, reina o topo das sapiências: a cultura do “Big Fezes Brasil”.

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