sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

TOMO MMCXIII ENTRE O MERCADO E MÉRDIA

 


Ouço tanto falar de mercado que resolvi ir até o mercadinho do “Zé Galinha” e perguntar diretamente:

— E aí, Zé, como você está se arranjando com o fim da jornada 6x1?

Sem rodeios, ele respondeu:

— Aqui é simples: eu e minha esposa nos revezamos. Quando um está no balcão, o outro fica em casa. Quem se preocupa com essa história do fim da 6x1 são aqueles que fingem ser amigos do povo, mas só aparecem de quatro em quatro anos.

Embora tanto o mercadinho quanto o próprio Zé existam, claro que não com esse nome, a verdade é que no mundo real as coisas acabam se ajustando. Como lembra meu amigo José Fernandes Jr., do Portal do José, há quem viva etiquetando tudo — como nos tempos em que se vendiam máquinas de etiquetas aos montes, nos áureos dias dos amantes de ditaduras. Ditadura, esse regime em que pensar é permitido apenas dentro da caixinha: aplaudir, ótimo; perceber o sumiço de um vizinho, aí você já é candidato a desaparecer também.

Fora desse mundo dos etiquetados, surgem os “canjicas” — termo inspirado no conto O Alienista, de Machado de Assis. São aqueles que vivem fora da realidade e acham normal pagar gasolina a R$10,00, ou ver preços dispararem, desde que possam bancar uma “cornociata” e vibrar ao ver jornalistas sendo agredidos, especialmente mulheres.

Nesse tempo em que os “canjicas” celebravam absurdos, sobravam filas do osso, remédios ineficazes distribuídos até para emas, e até morticínios de peixes para limpar lagos cheios de moedas jogadas como simpatia. Mas pensar sobre isso? Proibido.

Voltando ao tema dos mercados: as contratações já acontecem em um cenário em que o fim da jornada 6x1 foi aprovado. Mercadinhos familiares, como o do Zé, dificilmente se preocupam com mudanças na legislação, pois sobrevivem do esforço direto da família. Já empresas com apenas um funcionário podem sentir impacto. No entanto, em linhas gerais, o mercado — aquele que reclama da cobrança de impostos sobre os ricos — sabe que a mudança é inevitável.

E além da militância de extrema direita, há o pobre que replica ideias dos amantes da ditadura. No Portal do José, são chamados de “canjicas”: defensores de agressões contra quem não idolatra o “inelegível”. Este, quando recebe correligionários, vende saúde; mas diante de jornalistas ou de quem ousa pensar, prefere o silêncio autoritário. Para esses seguidores, o melhor dos mundos é aquele em que alguém pensa por eles. Se vizinhos desaparecem “por encanto”, tudo bem — mesmo que seja o pai, o filho ou o irmão. Afinal, numa ditadura, pensar é proibido.


O MERCADO 


Há, certamente, o mercadinho da esquina,

Tipo, o mercadinho do Zé Galinha,

Não aquele da música da filha da Elis,

Qual a Maria, das pernas torneadas,

Namorava mesmo o Zé Cachorro.


A questão é o mercado,

Não o mercadinho do Zé Galinha,

Já que este, nem funcionário tem,

Ele não irá se preocupar com a "6X1".


Já o mercado, aqueles de vila,

Com funcionários, já se acerta.


Mas, a mídia, a mídia, também acena.


Já, a mérdia, aquela mérdia militante.


Ah, a mérdia militante, é, e está, a serviço da direita,


Portanto, que o povo, ora o povo,

Se o povo não trabalhar,

Não haverá rico, para mamar.


Anesino Sandice

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