Vou viajar mentalmente, atravessando fronteiras entre sociopatia e frustração sexual, misturando lembranças das aulas de sociologia e psicologia social com minhas “viagens livres” pelos segredos de Sigmund Freud.
Para o Papa da psicanálise, frustrações sexuais frequentemente se transformam em arrogância em outras áreas da vida, como forma de compensação. Talvez seja justamente aí que resida a poesia quase hipotética de Otavinho: o desejo de exteriorizar um sonho solitário, criando uma realidade alternativa onde apenas seus próprios sonhos têm validade. Se são reais ou não, perguntem às pombinhas da poesia de Otavinho.
Recordo uma repórter, já após o fim oficial da ditadura, que exaltava como excelente oportunidade um emprego no comércio pagando um salário mínimo e meio. Para a jovem entrevistada, isso era vendido como irrecusável. Nos tempos áureos de FHC, a mídia burguesa nacional tratava tais ofertas como a “meca das oportunidades”. Curiosamente, a mesma repórter recebia trinta vezes esse valor, enquanto celebrava a fortuna de um salário e meio.
A empresa para a qual trabalhava apoiou um de seus associados na corrida presidencial, jogando pesado contra o que viria a ser a virada de chave no desenvolvimento nacional: a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder. É verdade que em 1989 o PT tinha pouca experiência administrativa, mas o mesmo se dizia em 2002 — e, ainda assim, o Brasil saiu do mapa da fome e o PIB deu saltos significativos. A tal “inexperiência” é, no mínimo, questionável.
O “associado global” construiu sua imagem como caçador de marajás, que nós, sindicalistas, traduzíamos ironicamente como caçador de maracujás, já que tudo era puro suco de hipocrisia. Hoje, esse mesmo personagem cumpre prisão domiciliar por corrupção.
Desde sempre, o Brasil convive com uma casta que ascendeu às custas de penduricalhos e benefícios artificiais: auxílio moradia para juízes que já residem na comarca, auxílio paletó, auxílio mudança. Esses privilégios criam uma elite política que joga sujo para se manter no poder, enquanto seus discursos variam do extremo conservador ao progressismo, rotulado como “extrema esquerda” apenas nos palanques. Fora deles, o que realmente importa são os penduricalhos.
Não se trata de ser contra jornalistas ou parlamentares terem altos salários. O problema é a contradição: o Congresso exige austeridade do Executivo, mas mantém privilégios e libera emendas parlamentares obscenas para aprovar medidas que beneficiam poucos. O pau que bate em Chico, nunca bate no doutor Francisco.
OS PENDURICALHOS DAS POMBINHAS
"pombinhas", aqui genérico alusivos ao personagem
de "O CORTIÇO: Aluízio de Azevedo"!
Eram duas irmãs,
Filhas de um verdadeiro tirano,
Tirano, misógino e sexista,
Que bradava sempre a plenos pulmões,
Prendam suas cabras,
Meus bodes pastam livremente,
Segurem suas rachadas,
Meus pontudos, são afiados.
Depois que virarem avôs,
Não me venham reclamar da sorte,
Assim como suas cabras,
Meus bodes, ainda são cabritos.
Discurso muito bem ensaiado,
Só esqueceram mesmo de combinar,
Com suas duas filhas,
Aqui, pombinhas.
Que insistiam em brincar, "todos os dias".
Com o meu penduricalho.
Otavinho da Proprietária
P.S: para pobre, cesta básica, é um desperdício, para um juiz que entrega de bandeja, nosso Pré-Sal, R$2,5 milhões, é natural.

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