Henrietta Lacks morreu em 1951, no hospital Johns Hopkins, em Maryland — um dos poucos que atendia pessoas negras, quase sempre pobres. Internada com fortes dores e sangramento, teve suas células enviadas ao pesquisador George Gey, que as utilizou em estudos que culminaram na descoberta do câncer do colo do útero. Sua contribuição involuntária tornou-se um marco científico, mas também expôs dilemas éticos e sociais.
Essa história dialoga com o Brasil contemporâneo. A Constituição de 1988, chamada de “cidadã”, garantiu o direito universal à saúde e criou o SUS. Contudo, esse sistema vem sofrendo ataques constantes, com propostas de privatização disfarçadas em “vales” ou “vouchers” que prometem acesso a hospitais de ponta, mas na prática reproduzem a exclusão: saúde de qualidade apenas para quem pode pagar.
A lógica desses “vales” é a mesma que sustenta privilégios em outras áreas — uniformes escolares, auxílios para parlamentares, benefícios restritos a poucos. O resultado é um país de economia gigantesca, mas incapaz de distribuir seus frutos de forma justa.
Em contraste, Cuba, com sua pequena economia, conseguiu universalizar o acesso à saúde. O exemplo mostra que não é o tamanho da economia que define a justiça social, mas a escolha política de garantir direitos. Equipar e fortalecer o SUS é, portanto, essencial. Para isso, é preciso rejeitar ameaças privatistas e eleger representantes comprometidos com a universalização da saúde.

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