Há questões que, embora tratadas como menores, revelam-se centrais na construção das desigualdades sociais. São diferenças que, vistas com indiferença por mentes pequenas, tornam-se naturalizadas e invisíveis, servindo ao deleite de minorias que delas se beneficiam.
Temas como raça, religiosidade, gênero e orientação sexual são constantemente instrumentalizados pelas elites políticas e econômicas. Estas elites, sustentadas pela lógica da estamentação, perpetuam sua dominação e reinam absolutas, muitas vezes com o apoio dos próprios excluídos.
Esse processo não é novo. Remonta ao Império Romano e se intensifica após sua queda, atravessando séculos até chegar à contemporaneidade. O fim da Segunda Guerra Mundial marca a ascensão de uma ex-colônia como nova metrópole mundial — política, econômica e bélica — impondo regras que valem apenas dentro de suas fronteiras, em contraste com o restante do planeta.
A Europa, outrora centro do poder global, desperta agora para sua irrelevância, enquanto o “grande irmão do norte” exerce sua dominação sem disfarces, sustentado por uma justiça branca — leia-se europeia — que privilegia os cidadãos de origem europeia, mesmo em terras estrangeiras.
O mundo continua dividido entre ricos entreguistas e pobres úteis. Os primeiros sempre foram bem recebidos nas metrópoles; os segundos, aceitos apenas em três condições: como turistas que gastam, como estudantes que aprendem a replicar mecanismos de dominação em suas pátrias, ou como mão de obra barata para tarefas que os nobres não se dispõem a realizar.
Essa mesma lógica se reflete na justiça branca, que julga conforme os interesses políticos e sociais do momento. O que um brasileiro pobre sente numa abordagem policial, hoje é vivido pelos imigrantes nos Estados Unidos, submetidos a políticas de exclusão e violência, mesmo quando sua força de trabalho é essencial para a economia.
O ICE, polícia de imigração, reproduz práticas de repressão típicas da América Latina: violência, submissão e silenciamento de qualquer tentativa de autonomia.
Em conclusão, por interesses quase imperiais, o autoproclamado rei da “terra do mal” assiste à execução de seus cidadãos sob a luz do sol e diante das câmeras da mídia. Esta, por sua vez, comporta-se como as “mérdias” entreguistas brasileiras, que camuflam com críticas superficiais a questão central: há uma justiça branca, complacente com os ricos e indiferente aos pobres.

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