O brasileiro foi às ruas como em um estouro de boiada — provocado por um ruído ensurdecedor que o fez correr sem saber para onde.
Esse ruído precisa ser analisado com lupa. A corrupção está entranhada na sociedade, não apenas nos grandes escândalos, mas nas pequenas práticas cotidianas: quando se negocia um desconto sem nota fiscal, ou quando líderes religiosos recebem dízimos sem declarar como renda.
A corrupção, apesar de condenável, é muitas vezes aceita ou até incentivada legalmente. A linha entre o legal e o imoral é tênue e frequentemente ignorada.
A mídia colaborou com a espetacularização da “República de Curitiba”, que serviu mais aos interesses da elite econômica do que à justiça.
A propaganda, desde os anos 1950, é usada como arma de manipulação. E sem ensino de filosofia nas escolas, falta à população o mínimo necessário para refletir sobre ética.
O Estado, embora oficialmente laico, abriga uma bancada cristã no Congresso e símbolos religiosos em repartições públicas, ignorando religiões de matriz africana.
O Conselho Federal de Medicina, que não se opôs ao uso de cloroquina em emas, condena práticas medicinais de povos originários, mesmo quando a ciência comprova sua eficácia. Isso é corrupção — e das mais graves: corrupção lesa-pátria.
É igualmente antipatriótica a atitude de brasileiros que, usando bonés MAGA, pedem sanções contra o próprio país. Se o povo não aprende ética, pior é ver quem estudou ignorá-la.

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