Ao olhar para estes mais de cinco séculos desde a invasão portuguesa, percebo, com espanto, como ainda se repetem velhas práticas de extermínio e exclusão. As nuvens pesadas que sopram do “grande irmão do norte” trazem a reedição da perseguição aos povos originários.
Não são apenas ecos do passado: os mesmos invasores de ontem, que se autoproclamam donos das terras alheias, continuam a impor seu poder, explorando riquezas naturais e expulsando aqueles que, por décadas, sustentaram suas estruturas com trabalho invisível e desvalorizado.
Mas nossa conversa não se limita às dores dos imigrantes que buscam o império do mal. Muitos já conquistaram o tão sonhado green card, e mesmo cidadãos estadunidenses tradicionais sentem hoje o peso de um sistema exclusivista. A dor maior, porém, é constatar que os grandes beneficiados pelo golpe de 2016 apoiam com entusiasmo essas expulsões, chegando a pedir sanções contra o próprio Brasil.
Seria fácil reduzir isso a um pequeno grupo político, interessado apenas em eleger meia dúzia de deputados para marcar posição. No entanto, não se trata de uma minoria irrelevante. É um projeto articulado, que envolve famílias influentes, juízes e promotores capazes de montar processos sem provas para afastar da disputa eleitoral o candidato favorito, aquele que simbolizou as filas do osso.
Diante disso, duas consequências se impõem:
• As forças humanistas contam com apenas um nome forte para disputar o poder.
• A “mérdia entreguista” ajudou a consolidar uma maioria absurda nas casas legislativas e em governos estaduais e municipais. O buraco, portanto, é muito mais profundo.
Não são apenas os ventos pesados vindos do império do mal que revelam a decadência dos valores burgueses — aqueles que a Revolução Francesa prometeu universalizar, mas que só valem quando a burguesia ganha. Esses ventos também sopraram para legitimar o golpe “branco”, sem tanques nas ruas, mas com a mesma eficácia de um golpe militar.
No império do mal, não há organização política que se paute por princípios humanistas. Todas defendem sua própria soberania em detrimento do resto do mundo. E esse “resto do mundo” inclui, inevitavelmente, o Brasil. Dói perceber que há quem apoie essa exclusão, sugerindo inclusive que nossas riquezas sejam sugadas sem qualquer retorno, apenas para fortalecer os entreguistas.

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