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ividimos aqui a corja dos amigos da conja — para quem não lembra, o marreco que, ciente de seu papel, vendeu o futuro do Brasil. Essa corja, que se diz patriota, mas vende a pátria sem pudor, é formada por verdadeiros patriotários. Essa elite ideológica se organiza em três camadas. No topo, os bozos: líderes que exigem fidelidade absoluta das demais camadas. A segunda camada é dos bozolóides — os que mamam nas estruturas do poder. Estão no parlamento, em cargos executivos, e até no Judiciário. São os operadores da máquina.
Entre os bozolóides, há os que ousaram romper. Foram banidos, perderam cargos e relevância. A punição serve como aviso: fidelidade é questão de sobrevivência.
Para manter essa engrenagem funcionando, é necessário algo além da alienação — a ausência de um terceiro neurônio. A massa de seguidores, os bolzominins, seguem cegamente. Nem mesmo o conjo da conja escapou: após romper com o bozo, voltou ao papel de serviçal.
Na base da pirâmide, os bolzominins vivem num universo onde pensar é proibido. Para ser um autêntico bolzominin, é preciso perder um familiar na pandemia e ainda defender o bozo. É preciso acreditar na Terra plana, mesmo assistindo à Copa do Mundo em novembro. É preciso crer que o pau que bate no Chico jamais baterá no Francisco.
Defendem o indefensável: taxação do Pix, sabotagem de investigações, blindagem de crimes do colarinho branco. Mas esses crimes não são cometidos pelos bolzominins — são obra dos bozolóides, os que mamam nos estamentos da sociedade doente.
Falta a consciência da negra operária comunista da trilogia de Jorge Amado. Falta a visão freireana da educadora Ignácia, minha amiga.
Sobra, porém, a cegueira de quem crê em mitos: na cloroquina, na Terra plana, nos cinquenta e um imóveis comprados em dinheiro vivo. Acham normal R$470 mil em notas novinhas.
Tudo isso para sustentar a tríade que carrega as pedras que constroem os castelos de poucos.
(TRIOLOGIAS
Há uma tríade,
Muito antes de eu saber o que era tríade,
Que parametra minha vida.
Sou o Adão, assim,
A santíssima trindade?
Viajei anos mais tarde,
Numa triologia do Jorge Amado,
Desta nos persegue o nome Ignácia.
Ignácia, replicada nunca fantástica educadora,
Plenamente cônscia de seu papel freireano.
A educação é causa e consequência.
A educação que causa esta tal sociedade,
Também é consequência desta mesma sociedade.
Falemos da Ignácia, da triologia do Jorge.
Operária, negra e comunista.
Falemos, da Ignácia, negra e comunista
Morta pela repressão.
Nesta estranha repressão,
Há biologicamente que não morre,
Pois, nem sabe que é vítima,
De uma repressão,
Aquela repressão que impede,
Até de saber que é um joguete,
Que mantém a estamentação,
Desta doentia sociedade.
Como não sabes,
Jamais, será uma Ignácia,
Nem a negra, operária e comunista,
Nem mesmo a educadora,
Quanto mais uma educadora cônscia.
Já que vítima, de uma educação deficiente,
Não enxerga que esta certa exploração.
Santo Semfé
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