quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

TOMO MMCXIX PROBLEMAS DA TRÍADE

D

ividimos aqui a corja dos amigos da conja — para quem não lembra, o marreco que, ciente de seu papel, vendeu o futuro do Brasil. Essa corja, que se diz patriota, mas vende a pátria sem pudor, é formada por verdadeiros patriotários.
Essa elite ideológica se organiza em três camadas. No topo, os bozos: líderes que exigem fidelidade absoluta das demais camadas. A segunda camada é dos bozolóides — os que mamam nas estruturas do poder. Estão no parlamento, em cargos executivos, e até no Judiciário. São os operadores da máquina.

Entre os bozolóides, há os que ousaram romper. Foram banidos, perderam cargos e relevância. A punição serve como aviso: fidelidade é questão de sobrevivência.

Para manter essa engrenagem funcionando, é necessário algo além da alienação — a ausência de um terceiro neurônio. A massa de seguidores, os bolzominins, seguem cegamente. Nem mesmo o conjo da conja escapou: após romper com o bozo, voltou ao papel de serviçal.

Na base da pirâmide, os bolzominins vivem num universo onde pensar é proibido. Para ser um autêntico bolzominin, é preciso perder um familiar na pandemia e ainda defender o bozo. É preciso acreditar na Terra plana, mesmo assistindo à Copa do Mundo em novembro. É preciso crer que o pau que bate no Chico jamais baterá no Francisco.

Defendem o indefensável: taxação do Pix, sabotagem de investigações, blindagem de crimes do colarinho branco. Mas esses crimes não são cometidos pelos bolzominins — são obra dos bozolóides, os que mamam nos estamentos da sociedade doente.

Falta a consciência da negra operária comunista da trilogia de Jorge Amado. Falta a visão freireana da educadora Ignácia, minha amiga.

Sobra, porém, a cegueira de quem crê em mitos: na cloroquina, na Terra plana, nos cinquenta e um imóveis comprados em dinheiro vivo. Acham normal R$470 mil em notas novinhas.

Tudo isso para sustentar a tríade que carrega as pedras que constroem os castelos de poucos.


(TRIOLOGIAS 


Há uma tríade,

Muito antes de eu saber o que era tríade,

Que parametra minha vida.


Sou o Adão, assim,

A santíssima trindade?


Viajei anos mais tarde,

Numa triologia do Jorge Amado,

Desta nos persegue o nome Ignácia.


Ignácia, replicada nunca fantástica educadora,

Plenamente cônscia de seu papel freireano.


A educação é causa e consequência.


A educação que causa esta tal sociedade,

Também é consequência desta mesma sociedade.


Falemos da Ignácia, da triologia do Jorge.


Operária, negra e comunista.


Falemos, da Ignácia, negra e comunista 

Morta pela repressão.


Nesta estranha repressão,

Há biologicamente que não morre,

Pois, nem sabe que é vítima,

De uma repressão,

Aquela repressão que impede,

Até de saber que é um joguete,

Que mantém a estamentação,

Desta doentia sociedade.


Como não sabes,

Jamais, será uma Ignácia,

Nem a negra, operária e comunista,

Nem mesmo a educadora,

Quanto mais uma educadora cônscia.


Já que vítima, de uma educação deficiente,

Não enxerga que esta certa exploração.


Santo Semfé 

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