A EVOLUÇÃO HUMANA: TECNOLOGIA, SOBERANIA E CONTRADIÇÕES
Nos tempos em que o homem pisava na Lua, os jornais também noticiavam outro feito histórico: o primeiro transplante cardíaco bem-sucedido, realizado pela equipe de Christian Barnard. Não me detenho no fato em si, mas no que ele representa como pano de fundo para uma questão maior — ao menos sob este olhar poético: a tal evolução humana.
As drogas antirrejeição transformaram os transplantes em rotina ao longo de mais de cinquenta anos. Já as viagens tripuladas à Lua, após o acidente da Apollo XIII, perderam o fascínio que a Apollo XI havia inaugurado. A sede de conquista espacial diminuiu.
Mas o que nos interessa aqui é a evolução humana sob outra perspectiva — a civilizatória. Porque, do ponto de vista tecnológico, não há dúvidas: evoluímos. Já quando o assunto é soberania, justiça e dignidade dos povos?
Nos anos 1960 e 1970, o chamado “império do mal” impunha golpes militares em nações periféricas, substituindo governos legítimos por juntas alinhadas a seus interesses. No século XXI, o golpe ganhou nova roupagem: civil, jurídico, parlamentar e midiático.
Com isso, poupam-se vidas, mas sacrifica-se a dignidade. A manipulação midiática legitima a interferência estrangeira, como se o agente do Tio Sam tivesse o direito de ditar nossos rumos. A Venezuela é exemplo recente — um sequestro em pleno palácio presidencial.
No Brasil, o golpe de 2016 teve um agente interno, representante da elite subserviente. A ausência de uma cultura de soberania nacional é o verdadeiro entrave. Evoluímos tecnologicamente, sim — basta ver as sondas Voyager V e VI ultrapassando os limites da gravidade solar. Mas e quanto ao sentimento pátrio? À construção de um projeto nacional?
Hoje, o Brasil vive um dos melhores momentos econômicos de sua história: crescimento do PIB, aumento do emprego e da renda. Conquistas como a isenção do imposto de renda até R$5.000 e uma tímida reforma tributária são marcos importantes.
No entanto, para setores da mídia tradicional e da extrema direita, o país não pode dar certo. Precisam que ele fracasse, para justificar a ascensão de figuras messiânicas e autoritárias. Nem mesmo conquistas históricas são reconhecidas — como a reforma tributária que a direita sempre clamou, mas jamais realizou, mesmo com maioria congressual.
A pergunta que fica é: evoluímos mesmo? A humanidade, tecnologicamente, sem dúvida. Mas no Brasil, quando falamos de elites, ainda estamos longe de inventar uma que esteja à altura da nossa soberania.
ALGO
Há, algo que ouço,
Ouço, há muito tempo e,
Em certos olhares, é inegável,
Por outros, no entanto, questionável.
Falo da interpretável,
Apenas isto, evolução humana.
Cinquenta e cinco "quase",
Do pisar na Lua,
Disse, eu, naquele junho,
Roubaram a Lua, dos meus versos,
Fizeram-na, como fazes,
Com meu pobre coração.
Se constantemente pisas,
Neste pobre coração que é seu,
Só seu, então, só tu,
Podes nele pisar.
Já que o gringo pisou na Lua,
Já, não mais a possuo,
Assim, ela já não rivaliza,
Com este meu pobre coração,
Que é teu por vontade minha,
Já, que por ti,
Seria ele como a Lua,
De todos e de ninguém,
Já que em nada.
Te importaria.
P.S, tal pretensão de poesia, nos dias de hoje, estaria assinado pelo heterônimo de "Otavinho da Proprietária", na época, o Anesino Sandice, recém "inventado" dormia em sono letárgico, logo?

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