quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

TOMO MMCXXVII – AMEAÇAÇÃO


Décadas atrás, um grupo de psicólogas e parapsicólogas cunhou o termo “pesquisação”, para designar a prática de pesquisar e agir simultaneamente, buscando transformar a realidade.

Quando penso na ideia de colocar a repressão como função central de uma força policial, percebo o equívoco. A Polícia Militar, que deveria existir apenas em situações extremas, acabou se tornando protagonista em tarefas que caberiam à Polícia Civil, responsável pela investigação.

O medo, por sua vez, tornou-se um produto lucrativo. Empresas de segurança e líderes religiosos se beneficiam dele: os primeiros vendendo proteção, os segundos manipulando fiéis que entregam parte de seus salários e votos a políticos que, em palanques, defendem uma retórica afiada sobre segurança. Se realmente resolvessem o problema, perderiam sua base eleitoral.

É previsível que defensores do bolsonarismo reajam a estas críticas. Mas é preciso lembrar que a justiça brasileira, historicamente, funciona como uma “justiça branca”: voltada a proteger os interesses dos homens brancos e ricos. Quando há disputas entre pessoas de diferentes classes e gêneros, essa justiça revela suas contradições — ora mascarando misoginia, ora perpetuando violências de gênero e feminicídios.

As mulheres pobres, vítimas de violência, sofrem ainda mais: enfrentam não apenas o machismo, mas também a exclusão social e educacional que reforça a desigualdade.

Nossa história é marcada por golpes de Estado, e o último, de caráter militar, extinguiu as guardas civis e consolidou uma força policial militarizada, alimentada pelo vírus da violência. Décadas depois, herdeiros desse modelo ainda tentam impor uma lógica autoritária, transformando a educação em espaço de disciplina rígida, onde o pensamento crítico é reservado às elites.

A violência não é apenas um método de controle social: tornou-se prática cotidiana, tão naturalizada que até as camadas sociais mais atingidas a enxergam como parte de suas necessidades.

Não podemos esquecer que a violência também se manifesta nos púlpitos religiosos, quando líderes pregam a execução de pessoas e reforçam uma sociedade beligerante. A cobrança do dízimo, reinterpretada como obrigação, soma-se a esse cenário, revelando como religião, política e violência se entrelaçam para manter privilégios e desigualdades.

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