Quando ouço o nome Tatiana, penso imediatamente na mãe do Gael. Ainda não conheço o Gael, mas lembro da Tatiana correndo pelo quintal — uma imagem viva e afetiva.
Existe também outra Tatiana, mulher negra, estudiosa da negritude, participante ativa do Fórum Paulista dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos. Mas não é dela que falamos agora.
A Tatiana desta crônica representa uma brasileira comum, parte da humanidade que vive ou tem vínculos com o Brasil — uma nação que, como tantas outras, foi vítima da mais recente investida da extrema-direita.
Essa direita, com sua retórica agressiva e simbologia distorcida, nega até mesmo o vermelho da bandeira nacional, como se a cor fosse inimiga. E entre suas figuras centrais estão personagens como o “marreco” e o “jegue lustroso” do Paraná, que mesmo sem formação jurídica adequada, se lançam em cruzadas contra ministros do Supremo, confundindo protocolo com processo.
Esses personagens são tratados como heróis por muitos — os mesmos que reverenciam torturadores como Ustra, e que chegaram ao poder com o apoio da mídia entreguista e das elites que nunca sonharam com um Brasil soberano, mas com um país submisso, quase um vice-reino.
O governo que se instalou em Brasília, com apoio da mesma mídia, cortou verbas da ciência e da pesquisa. Como consequência, o Brasil perdeu a chance de patentear a polilaminina — um medicamento revolucionário — e agora, se quiser produzi-lo, terá que pagar royalties a uma multinacional estrangeira.
Esses “heróis da sombra”, que se mostravam valentes diante de presos algemados, hoje se dizem vítimas de perseguição. Negam a ciência, mas entregam de bandeja nossas riquezas intelectuais. E quando o país tenta se proteger, eles se levantam em defesa de interesses que não são os nossos.
Tatiana, nesse cenário, é símbolo de resistência. Não é heroína por estar em palanques ou manchetes, mas por existir, pensar, criar, resistir. Ela é a heroína dos heróis.

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