As pirâmides, em sua forma estrutural, representam fielmente a organização das sociedades estamentadas. Poucos, muito poucos, concentram e sugam as riquezas produzidas por muitos que estão na base. Essa lógica não apenas destrói o ambiente terrestre, mas já se estende ao espaço, com lixo orbital sendo tratado como “progresso”. No fundo, trata-se do domínio do capital.
A narrativa, que muitas vezes se apresenta como um belo “conto burguês”, esconde o mais puro extrato da exploração. A Revolução Francesa, por exemplo, custou inúmeras vidas de trabalhadores, mas resultou na consolidação da burguesia como classe dominante, perpetuando sua hegemonia política, militar e, sobretudo, econômica.
O domínio de uma casta sempre se sustenta pela apropriação de instrumentos de poder, inclusive da fé. A crença em um Deus único é manipulada como ferramenta de legitimação. Tudo parece “honesto”, mas na verdade é sustentado pelo rígido controle dos saberes e pela manipulação das estruturas sociais.
No Brasil, o “eterno país do futuro”, essa lógica se manteve até o início do século XXI, quando um operário chegou à presidência. Ainda que com um olhar mais humano, sua plataforma seguia dentro da lógica burguesa – a mesma que, desde Quesnay, sustenta o capitalismo em crises como a depressão de 1930. O Estado concede crédito aos famintos, que ao consumir geram impostos e equilibram o déficit público. Nenhuma novidade: apenas a repetição de mecanismos que mantêm o sistema funcionando.
A partir daí, os “agourentos do país do futuro” abriram a caixa de maldades. O arcabouço jurídico-institucional, supostamente representativo de todas as camadas sociais, é na prática controlado pelas elites. Legislativos e Judiciário funcionam como engrenagens de manutenção da pirâmide. Exemplos não faltam: o uso político do “mensalão” e, mais tarde, a farsa da “lava-jato”, que direcionou ataques seletivos contra opositores, enquanto a burguesia nacional – nem patriótica, nem honesta – seguia intocada.
O resultado foi a destruição de oportunidades para que o povo pudesse simplesmente comer. A mídia colaborativa reforçou a narrativa de que qualquer tentativa de organização social fora da lógica piramidal seria criminosa. Assim, o maior crime passou a ser oferecer ao povo a possibilidade de uma vida digna fora da sombra da elite.

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