Segundo relato de minha amiga Jandira Feghali — médica, deputada federal e militante do Partido Comunista do Brasil — um candidato à prefeitura do Rio de Janeiro viveu um episódio constrangedor em pleno debate, interrompendo o evento com a clássica frase “nossos comerciais, por favor”.
O fato, negado por ele e seus aliados, tornou-se símbolo da contradição: enquanto exaltam torturadores como Ustra em camisetas, tratam o barulho de um ar-condicionado como se fosse prova de desumanidade, ignorando o sofrimento real de famílias que ainda buscam restos mortais de parentes desaparecidos pelo Estado.
A hipocrisia se repete: quando a dor é dos outros, minimizam; quando a pimenta arde nos próprios olhos, tornam-se sensíveis. Até no futebol há exemplos de humanidade — jogadores e goleiros que se retiram por necessidades fisiológicas e retornam para vencer. Mas a “brabeza” da turma do zero um só reconhece humanidade quando lhes convém.
É inegável que houve uma pandemia. Também é inegável que o Congresso concedeu ao pai do zero um um cheque em branco para enfrentá-la. O resultado, porém, foi grotesco: corridas atrás de emas com caixas de cloroquina, motociatas financiadas pelo cartão corporativo e uma campanha eleitoral antecipada, ilegal e sustentada pelos mais pobres. Enquanto os ricos ameaçam deixar o país diante de impostos, os pobres enfrentam filas do osso e ainda são convocados a aplaudir o “capetão”.
Com as tentativas de golpe de Estado — já em julgamento, com prisões de militares estrelados e do próprio líder — resta ao filho aliviado o papel de candidato da “familícia”. A promessa é devolver o Brasil ao caos do desgoverno anterior, com a única diferença de ser um “bozo vacinado”. Um bozo que empregava familiares de milicianos. Eis o avanço democrático que oferecem: a sombra constante de um novo golpe, ou, caso sejam derrotados, o discurso da “ditadura do judiciário”.

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