A Venezuela, assim como tantas nações do chamado “mundo em desenvolvimento” — outrora rotulado como “subdesenvolvido” ou, no auge da Guerra Fria, o “mundo gerador de fome” — sempre esteve no centro de disputas ideológicas. Sob a influência da URSS, mesmo sem prosperidade plena, não se via a fome explodir em cada esquina. Já sob a tutela do Tio Sam e da Europa a seu serviço, a desigualdade era fabricada e exportada.
Apesar de possuir a maior reserva mundial de petróleo, a Venezuela só deixou de ser um “Zé Ninguém” no cenário internacional quando Hugo Chávez, por meio de um golpe de Estado, declarou um basta ao chamado “império do mal”. A reação foi imediata: o sistema que fabrica desigualdades não aceitaria que parte de seu quintal se tornasse uma nação soberana, ainda mais uma que ajudava Cuba a espalhar solidariedade médica e humanitária pelo mundo.
No Brasil, o chamado “pós-efeito marreco” trouxe de volta a fome e a entrega do Pré-Sal, enfraquecendo a indústria nacional. O progressismo, que havia retirado do país o rótulo de “eterno país do futuro”, foi novamente ameaçado. A narrativa dominante pintava a Venezuela como “bandeira cor de vinho” decadente, enquanto exaltava a Argentina — cujo nome remete à prata — como modelo. No entanto, a Argentina naufragava, e a Venezuela sofria mais um golpe, desta vez com o sequestro de seu presidente.
Enquanto isso, o Brasil, mesmo atacado pelos financiadores da desigualdade e pela “mérdia colaborativa”, seguia superando obstáculos. Até setores da própria imprensa, ainda que não nos telejornais abertos, começaram a reconhecer avanços. É fundamental, porém, manter viva a crítica às “idiotices” que sustentam a fábrica de fome.

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