Outro dia, minha esposa encontrou alguém que sempre sabia nosso endereço, nosso telefone, nossa companhia — mas nunca sabia dizer “obrigado”.
Um dia, cansada dessa estranha subserviência, ela respondeu: “acabou o cibazol”. Para quem não lembra, cibazol era o remédio popular contra diarreia, vendido sem receita na ditadura. A pessoa passou por nós e simplesmente ignorou.
Nada demais, talvez. Mas esse episódio revela algo maior: política.
Precisamos aprender de que lado estamos. Num primeiro de maio, em ano de eleições gerais, quando o nazi-fascismo volta a dar sua cara, apoiado pelos mesmos agourentos de sempre.
Quem são eles? Líderes de igrejas ditas cristãs, que se agarram ao Velho Testamento como se fosse uma senha para restaurar um reino perdido. Ignoram que o Novo Testamento não é continuação sem vírgula, mas ruptura.
O caso da pessoa que ignora o “obrigado” é o mesmo dos vizinhos que compartilham CEP mas não se reconhecem. Se não percebemos que estamos no mesmo barco, será impossível darmos as mãos.
Dar as mãos é perceber as enrascadas políticas que levaram à ascensão do fascismo. Os agourentos de hoje repetem o mesmo discurso pseudo-moralista, anestesiando nossa percepção.
Moradores de edifícios — reais ou simbólicos — precisam entender que atravessamos o mesmo mar revolto. E aqueles que não precisam vender o almoço para comprar a janta precisam perceber o apagão humanístico que significa a ascensão do fascismo, mesmo quando batizado por pastores.
Cristo, que dizem seguir, foi torturado e executado por defender posições próximas às de Jorge Messias. Nenhum verdadeiro cristão terá motivo para festejar sua exclusão do STF.
PRECISAMOS PARAR DE MORAR EM EDIFÍCIOS, MESMO SEM MORAR EM EDIFÍCIO:

Nenhum comentário:
Postar um comentário