A ditadura militar, que os tais “democratas de ocasião” fingem esquecer, deu continuidade ao projeto desenvolvimentista iniciado por Juscelino, aquele dos “cinquenta anos em cinco”. O Brasil cresceu, é verdade. Mas sempre fica a pergunta: a que custo?
Naquele tempo, a legislação eleitoral tinha suas peculiaridades. Era possível votar num presidente de um partido e num vice de outro. Foi assim que Jango virou vice de Juscelino e depois de Jânio. Curioso, não? Entre os nomes, estava o marechal Lott — militar honesto e patriota, combinação rara para os golpistas de 64 e, mais tarde, para os que se alinharam ao bozo e suas aberrações, incluindo as lideranças pseudocristãs que transformam mentira em dogma.
Mas vamos ao ponto: o Brasil desenvolvimentista construiu uma marinha mercante respeitável, capaz de transportar nossas exportações e boa parte das importações sem depender de ninguém. Essa autonomia durou até o apodrecimento da ditadura e até o medo norte-americano do fantasma do comunismo — medo que, diga-se, foi bem alimentado pela Igreja Católica. A mesma que fechava os olhos para a escravidão, mas exigia indenização aos fazendeiros quando perderam seu “exército de trabalhadores”. Qualquer semelhança com os pedidos atuais de indenização ao patronato pelo fim da jornada 6x1 não é coincidência.
E aí veio a primeira eleição presidencial em quase três décadas. O povo, ainda traumatizado, caiu na conversa de um “salvador da pátria”. Collor de Mello, assim como nossas indústrias, destruiu também a marinha mercante. A frota que antes ostentava nossa bandeira pelos mares virou sucata enferrujada.
Resultado: além de pagar tarifas a navios estrangeiros, ficamos sem meios de nos contrapor. Situação parecida com a distribuição de combustíveis, entregue de bandeja pelo “Trump tupiniquim”, também eleito pelo medo do comunismo inexistente. O governo atual tenta reconstruir o que foi destruído, mas a herança da “mérdia entreguista” e dos traidores da pátria pesa.
De novidade, só o apoio fervoroso da burguesia de joelhos e das lideranças pseudocristãs. Esses, fiéis a um Cristo que jamais diria “atire a primeira pedra”. Para os pseudopatriotas, o bom mesmo é entregar tudo — até a soberania — e fingir que o país não existe.

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