sexta-feira, 22 de maio de 2026

TOMO MMCCXIX UMA COISA DE ZÉ


Na semana passada, o Zé foi contar, lá na festa dos sindicalistas do ABC, aquilo que ouvira no rádio. Eu, preso a outro compromisso, não tive o privilégio de estar presente. Talvez, por uma questão de relevância,

Zé Geraldo nem se lembrasse de uma conversa fortuita com um fã. Mas seria extraordinário assistir à devolutiva de um artista que, sem saber, já habita tantas vidas, tantas memórias, tantas resistências — mesmo quando os versos escapam da ordem e se misturam ao cotidiano da nossa gente.

A música, afinal, é isso: canto que se multiplica, que se faz resistência, que se torna bandeira. Cantores que o povo canta são aqueles com quem podemos contar, sobretudo quando a lembrança da ditadura ainda pesa como cicatriz.

Os “Zés” da história nem sempre foram da Paraíba, mas marcaram o tempo. Houve aquele que se orgulhava do “milagre” brasileiro e do tricampeonato, mas que, ironicamente, foi convidado a ser o coveiro da própria ditadura. Houve também o outro, serviçal dos generais, chamado para fingir que o regime havia acabado.

Dentro dessa farsa, nasceu o Plano Cruzado, que prometia sepultar a inflação. Prometia. Porque logo ela voltou, galopante, e o povo, mais uma vez, foi assaltado pela URP — a tal Unidade de Referência de Preços. Só algumas categorias organizadas conseguiram vitória na Justiça. Só quem tinha força coletiva.

É nesse ponto que a devolutiva de Zé Geraldo ganha sentido: não se trata apenas de consciência de classe, mas de consciência humana. E, para que ela exista, é preciso saber em quem confiar. Porque há sempre aqueles que oferecem o ombro amigo, mas, na hora decisiva, se alinham aos inimigos.

Lembram do serviçal da ditadura que saiu da Arena, partido oficial do regime, para migrar ao partido “de oposição”? Pois é, chamava-se Zé. José Sarney.

O nome, por si só, não basta. “José”, bíblico, pai de Cristo, símbolo de tantos indivíduos, não garante clareza nem compromisso. Os Zés da política, muitas vezes, são gatos disfarçados de lebres. E é nesse engano que, repetidamente, tropeçamos.

UMA COISA DE ZÉ 

(Nem quero lembrar, 

Quem cantava, muito menos, 

Quem compôs, na verdade,

É que tinha muitos Zés, 

Na Paraiba, só entre meus irmãos, 

Não, até tem Josina, a Jô, 

Que em casa era a Zina,

Mas, Zé, não tinha não. 


Ainda nos árduos e doídos, 

Anos da ditadura, ouvi muito o Zé,

Neste caso o Geraldo, 

Que geralmente, depois de minha linda senhorita, 

A música "CIDADÃO", os versos 

Que escaparam da censura, é claro,

Mas, as músicas deste Zé,

Levou muita gente a refletir. 


Depois deste Zé, "o Geraldo",

Veio um outro Zé, "o Ramalho",

Aí, a dose de misticismo, 

Aliando a militância política, 

Nos ensinou que temos muito a aprender. 


Nisinha Vamos)



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