quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Tomo MMLXXXIII - Cultura, cultura, ausência de cultura


"Ao recanto do brocha soluçante"

Há pouco mais de três anos, durante a campanha eleitoral igualmente “soluçante”, mesmo contrariando ou ignorando as pesquisas, distribuíam-se as chamadas “medalhas dos três Is” para a massa de seguidores. Era um tempo em que todo idiota, mesmo os mais irrelevantes, sonhava em receber uma dessas medalhas. Três anos depois, o até então “imbrochável” reclama das consequências legais de seus próprios atos, alegando ser vítima de tortura. Vale lembrar: quem hoje acusa o devido rito legal de tortura é o mesmo que, na época das medalhas, tinha um filho desfilando com camiseta estampada com a imagem de um torturador.

Esse quadro pode ser facilmente classificado como estelionato — mais especificamente, estelionato eleitoral. Essa prática sempre existiu, mas nem sempre foi possível identificá-la com clareza, já que nós, trabalhadores, nunca tivemos condições reais de propor uma alternativa ao poder da burguesia. E, pasmem, ainda não temos.

O que existe é a possibilidade de nos colocarmos como oposição à gestão burguesa. Mas o simples fato de podermos ser uma alternativa desperta o ódio dos estelionatários de plantão. Estes, por sua vez, utilizam as mesmas ferramentas do estelionato para chantagear a sociedade, principalmente os candidatos naturais à condição de otários.

Para ampliar as chances de “otariar” — isto é, transformar cidadãos em otários — exploram a ausência de uma cultura mínima de classe, fazendo com que muitos se tornem inimigos de si mesmos.

Essa realidade só se sustenta graças à estreita parceria entre correntes políticas que vivem de enganar e seu eterno aliado: as correntes religiosas conservadoras. Conservadoras? Não. Reacionárias.

Reafirmamos: não há, na leitura exclusiva do Novo Testamento, qualquer justificativa para a cobrança do dízimo. Mas a exploração da ignorância e da falta de leitura cria milhares de pessoas dispostas a votar em candidatos que, em nome de uma pauta moral, tentam arrastar o pensamento da população do terceiro milênio para os mesmos patamares de dois mil anos atrás, quando Cristo viveu entre os mortais. E lembremos: esse Cristo foi crucificado com o apoio da própria população.


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