Pergunto-me: se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao vetar ontem, 08/01/2026, a lei da dosimetria, poderia imediatamente se tornar passível de um processo de impeachment?
Confesso não ser versado em direito, mas recordo que, nos tempos da pandemia, ouvi de um negacionista — pasmem — que “caso o presidente comprasse uma vacina sem eficácia comprovada, poderia sofrer um processo”. Perguntei: de impeachment? Ele respondeu: “o que é isso?”.
Essa lembrança se conecta a outra: há dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do STF, conduzidos por poderes distintos dos processados. Já quando o poder responsável pelo julgamento é o mesmo dos acusados, os processos se acumulam nos conselhos de ética, sem avanço.
Não sugerimos cassar títulos de eleitores que, por sete legislaturas, elegem parlamentares inaptos, sustentando-os com salários invejáveis sem retorno algum. O que defendemos é o impeachment das idiotices. Mas, para isso, seria necessário antes enfrentar as lideranças religiosas que fabricam um Cristo direitista, sectário, sexista, misógino, sado-masoquista, xenófobo e, sobretudo, aporofóbico. Ao promover tais impedimentos, estaríamos também barrando o uso das bandeiras de Israel e dos Estados Unidos em celebrações da pátria.
Eticamente, sabemos que não se deve cassar a cidadania de ninguém. Mas isso não significa que não devamos buscar cassar as ignorâncias.
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