MINHA PAZ
Quero uma paz, soberana,
Uma que reine,
Mas, a paz quero,
Não admite soberanos.
Então a paz que quero,
Ainda que seja soberana,
Mas, de uma soberania única,
Uma soberania que reúna,
Diferentes, mas não, os reúna,
Sob nenhum manto sacro qualquer,
Mas, ao reunir os diferentes,
Suprima, como por decreto as desigualdades.
Mas, não será por decreto,
Nem mesmo por subserviência,
Nem mesmo por supremacia,
Ops, por supremacia será,
as, pela supremacia da eliminação.
Há somas, apenas somas e,
Partilhas.
Anesino Sandice
Sinto-me, muitas vezes, obrigado a participar de um coro uníssono, ainda que não diretamente, onde abutres — como os da natureza que se alimentam de restos — se alimentam dos restos cadavéricos de uma possível inteligência humana. Sim, escrevo no passado porque essa possibilidade foi suprimida pelas religiões.
Não farei citações bíblicas diretas aqui, mas confesso que, enquanto meus dedos tocam o teclado, muitas delas borbulham na minha mente.
Venho de uma família católica, fui batizado e crismado, mas recusei a primeira comunhão porque já sabia ler. Não vejo paralelo entre o Cristo das religiões cristãs e o que realmente importa.
Foco minha visão na essência dos ritos das missas católicas. As missas são feitas para três momentos sublimes: as três leituras do evangelho.
A primeira leitura tenta manter viva a necessidade da existência de um Cristo, mas é o Velho Testamento que sustenta essa necessidade. Como historiador e amante da história, reconheço que esse culto deve ser exaltado, mas com olhos críticos. O Velho Testamento não é algo a ser cultuado, e sim superado.
A segunda leitura é uma carta do apóstolo Paulo — ou Saulo, antes de sua conversão. Ele representa a dominação das elites sobre o povo, trazendo à tona coisas que não existiam no Velho Testamento, como a homofobia, que só surgiu com as vivências dos exércitos. O ponto crucial de Paulo é a submissão do novo ao velho testamento.
A terceira leitura traz os ensinamentos de Cristo, mas será que ele é realmente lido? Ele é interpretado de forma temporal e ritualística, preso às outras duas leituras, sem vida própria, como algo distante, purificado no tempo, mas ainda preso ao passado.
Essa mistura controversa está na base de nossas guerras. A superação — e a paz — só será possível quando tivermos a capacidade de enxergar toda essa trama.
Não tento converter ateus ou agnósticos, mas proponho que compreendam que, sem essa compreensão, é impossível entender o tamanho do buraco em que a humanidade caiu. Sem isso, não haverá paz possível.

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