COM UM PROTETOR SOLUÇANTE, QUE NEM É A SOLUÇÃO
Protetorado e soberania: a encruzilhada brasileira
Um protetorado é uma condição jurídica internacional marcada pela ausência de soberania. Nesse modelo, a defesa não se volta ao território protegido, mas sim aos interesses de quem suprime as liberdades, geralmente exercida por um governo externo.
Infelizmente, desde o início da desgestão do inominável, vimos a oferta explícita para que o governante norte-americano compartilhasse a gestão da Amazônia. Ora, o dever de um governante é zelar por sua pátria. Mas é difícil classificar a família “bozo” como governante.
A encruzilhada brasileira não começou com a eleição do “bozo”. Na verdade, essa falta de vontade de soberania sempre esteve presente. A própria independência foi arquitetada para que um imperador estrangeiro reinasse sobre a conquista de seus conterrâneos.
Por quinhentos anos — trezentos deles como colônia — o Brasil seguiu esse destino. Durante o Estado Novo, Vargas inventou um herói e uma constituição, símbolos que surgiram como se tirados do bolso do colete.
Em 2002, ou no “ano quinhentos e dois da invasão”, o povo elegeu um operário metalúrgico para a presidência. A partir daí, duas situações se destacaram: a primeira, uma ruptura — infelizmente não institucional —, pois o país não abandonou sua vocação entreguista. Em contrapartida, iniciou-se um processo de distribuição de renda e de construção de direitos sociais, garantindo renda mínima e acesso dos pobres à universidade. Isso despertou a ira das elites.
O cenário tornou-se ideal para o golpismo. As tentativas começaram com o velho ritual do “bigodinho”: acusações infundadas de corrupção. Durante a primeira gestão, que buscava construir uma pátria, tais acusações não surtiram efeito. O operário se reelegeu, fez seu sucessor, que também se reelegeu. Mas, então, as intrigas golpistas conseguiram ferir a democracia. Para dar continuidade ao golpe, foi necessário prender o operário. Nesse ponto, nossa história deixou de ser apenas colonial e passou a se inclinar para o protetorado.
Chegamos a 2026, ano de eleições presidenciais, de renovação da Câmara dos Deputados e de dois terços do Senado. É uma encruzilhada decisiva.
Optaremos não apenas entre soberania e protetorado na eleição majoritária, mas, sobretudo, ao depositarmos o voto parlamentar. Se o país mantiver a sina de conceder maioria folgada aos golpistas e entreguistas de ocasião, talvez não baste ter novamente o velho operário metalúrgico na presidência.

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