segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

TOMO MMLXXX - JUSTIFICATIVAS QUE NENHUM BOLZOMININ IRÁ QUESTIONAR


MAS, ALEGARÁ SER NARRATIVAS!

Crônica sobre migrações e poder

Na história inicial de boa parte das Américas, o continente funcionava como uma espécie de “prisão sem grades”. Para cá eram enviados os desafetos dos governantes de então. Portugal, por exemplo, despachava para sua colônia ultramarina criminosos que não queria vigiar nem alimentar. Se fossem devorados por canibais, seria apenas um problema a menos. Já na América do Norte, os que migravam eram, em grande parte, perseguidos religiosos. Como estavam preocupados não apenas com a sobrevivência, mas também com a organização do Estado, a independência ali ocorreu um século antes da América do Sul.

Se a história das Américas já soma meio milênio, o mundo continua a reproduzir, em maior ou menor escala, dinâmicas semelhantes. De um lado, nações com necessidade de mão de obra — tanto braçal quanto intelectual — atraem aqueles que não encontram horizontes em suas terras natais. De outro, quando os fluxos migratórios ultrapassam o limite das necessidades, passam a ser vistos como problema e sofrem restrições.

Segundo a maioria dos estudiosos, as pessoas raramente abandonam sua terra natal sem motivo. Fazem isso, sobretudo, quando há risco à integridade física ou quando buscam melhores oportunidades. É nesse contexto que compreendo as migrações de cidadãos venezuelanos em busca de refúgio em outros países, inclusive no Brasil. Aqui, setores da direita transformaram esse movimento em palanque político, acusando os migrantes de criminosos e atacando ideais de libertação, ainda que muitos desses críticos sejam eles próprios desprovidos de recursos.

O objetivo desta crônica não é fazer apologia ao governo de Nicolás Maduro. Reconheço, contudo, que muitas das restrições impostas ao povo venezuelano decorrem de estratégias de defesa. O que chama atenção são as justificativas utilizadas por Donald Trump desde sua campanha eleitoral, quando já sinalizava a possibilidade de intervenção. Ao afirmar que os que fogem da Venezuela são criminosos, ele reforça a ideia de que a vida naquele país vizinho é insustentável. Discordo frontalmente dessa postura de “xerife do mundo”, mas é essa narrativa que ele procura impor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

SBP em pauta

DESTAQUE

GUERRA CONTRA AS DROGAS: A velha ladainha americana para intervir na América Latina

Desde o seu início, na década de 1970, a guerra às drogas promovida por Washington na América Latina tem sido alvo de controvérsia e debate....

Vale a pena aproveitar esse Super Batepapo

Super Bate Papo ao Vivo

Streams Anteriores

SEMPRE NA RODA DO SBP

Arquivo do blog