terça-feira, 6 de janeiro de 2026

TOMO MMLXXXII - BORA CINESTEAR?


De tão ruim, pode até ficar ótimo, muito provavelmente, o pior dos piores momentos!

Contradições entre fé, política e poder

Alguém que amo muito, infelizmente alinhado à direita, afirma-se cristão. É curioso, pois Cristo foi um revolucionário há dois mil anos, e imaginar um cristão conservador soa tão paradoxal quanto tentar congelar labaredas. O fato, porém, é que o “bozo” reúne uma legião de seguidores acríticos. Vamos aos pontos centrais.

Primeiro, o aspecto histórico: vindo de um bolsonarista, é natural que a pessoa se posicione contra benefícios sociais, como a concessão do LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social). Contudo, há uma contradição evidente: muitos que rejeitam tais políticas tornam-se defensores ardorosos delas quando são pessoalmente beneficiados ou quando favorecem pessoas próximas. Não raro, defendem também que recursos públicos sejam destinados a custear clubes de tiro.

Esses “cristãos” que se afastam radicalmente dos ensinamentos de Cristo promovem campanhas intensas contra ONGs — exceto quando tais organizações beneficiam diretamente seus interesses. Se uma ONG denuncia prostituição, é considerada legítima; se recebe recursos públicos para atividades ilegais em terras indígenas, como extração de ouro e pedras preciosas, também é bem-vinda. O mesmo vale para ONGs que fomentam pesca ou caça ilegal, práticas que, em alguns casos, chegam a ser detalhadas por essas próprias entidades, revelando uma certa “expertise” na condução dessas ações.

Saindo do tema das ONGs e entrando em outra contradição: esses seguidores de um revolucionário, que se dizem conservadores, contradizem o próprio culto que professam. Apresentam-se como patriotas, mas demonstram admiração por potências estrangeiras, sobretudo pelo poderio militar e pela força econômica, sustentada em grande parte pela indústria bélica. Nada disso parece estranho a eles, embora o Cristo que afirmam seguir tenha defendido, há dois milênios, a prática de “dar a outra face” diante da agressão.

É curioso observar como os seguidores desse Deus, que revolucionou os hábitos cotidianos ao valorizar mulheres e minorias, hoje se afastam de tais princípios, preferindo exaltar armas, violência e conservadorismo.

Ah, os seguidores deste Deus, que revolucionou, até hoje, dando ares humanísticos a tudo que até então era barbárie.

Como sugestão, ao mais importante cineasta da família, escrevo a crônica de número 2082

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