segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

TOMO MMLXXXVI - MÉTODO CABEÇÃO


 "02 DE FABRICAÇÃO DE VERDADES FALACIOSAS"

A gente vive numa caixa de verdades que nunca saíram dela. Coisas que achamos que são nossas, que dominamos, mas que nunca confrontamos com o outro lado. Porque o outro também tem a sua verdade, tão firme e radicalmente oposta à nossa, que só a nossa parece ser a certa. É como se Pandora tivesse aberto a caixa só para nós, mesmo que, na verdade, ela nem tenha aberto nada.

Desde que me entendo por gente, e olha que já tenho meus bons anos, percebo que essa mania de fabricar verdades sob medida para o freguês não é de hoje. Talvez lá na época dos meus amigos dinossauros, quando a Terra ainda era uma só, a Pangeia, já existisse essa arte de enganar com jeitinho, vendendo ilusões que o freguês paga para acreditar.

Se isso virou profissão, ganhou contornos mais sérios no desgoverno do tal capitão inominável. Mas isso não é novidade para quem já estudou história, ou pelo menos tentou entender as correntes que fizeram milhões de brasileiros migrarem para o sudeste. Só que, como só se contam as histórias de quem deu certo, ninguém sabe quantos caminhões "paus-de-arara" despencaram na Rio/Bahia, porque se divulgassem as tragédias, talvez ninguém mais quisesse migrar.

Caímos de cara, assustados, diante de um escândalo que parecia que ia explodir. Influenciadores digitais embolsando fortunas para fabricar uma opinião pública favorável a um banco. Honestamente, se eu não tivesse lido a Bíblia, que fala de um Deus único que criou um mundo cheio de etnias, até poderia engolir essa história.

A verdade é que as verdades são sempre narrativas. Até aquela do Deus único, que fez a Terra só para alguns.

Confesso que acreditei em algumas dessas falácias quando era criança. Tirei dez numa prova de história, acreditando na descoberta do Brasil como nos contaram. A biblioteca da Cruz das Almas era só uma promessa distante.

Mas um capitão do glorioso e golpista exército brasileiro, que dava aulas de Organização Social e Política Brasileira e Educação Moral e Cívica, ficou envergonhado ao me encontrar na porta da Sofunge, em Osasco, durante a greve de 1968. Dias antes, ele tinha corrigido minhas provas e me dado duas notas dez.

No fim das contas, as verdades são sempre narrativas, e cada um carrega a sua, mesmo que sejam opostas e contraditórias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

SBP em pauta

DESTAQUE

GUERRA CONTRA AS DROGAS: A velha ladainha americana para intervir na América Latina

Desde o seu início, na década de 1970, a guerra às drogas promovida por Washington na América Latina tem sido alvo de controvérsia e debate....

Vale a pena aproveitar esse Super Batepapo

Super Bate Papo ao Vivo

Streams Anteriores

SEMPRE NA RODA DO SBP

Arquivo do blog