Há uma chave para cada porta,
Há, no entanto, algumas lógicas,
Mesmo que esta lógica não pareça,
A mesma chave que abre,
É a mesma chave que fecha,
Isto lave para as portas,
Já para o destino,
Os ares penetram pelas frestas,
Impactam o ontem no hoje,
Ainda que o hoje, jamais mudará o ontem.
Ah, caso pudéssemos, refazer o ontem,
Para que tivéssemos um amanhã diferente,
Ah, esta chave-destino,
De um destino que é chave,
Para sufocar o nazi-fascismo,
Este nazi-fascismo, sempre envolto de moralismo.
Ah, se tivéssemos a chave,
De para termos julgado, o cara do bigodinho,
Ainda que particularmente creia,
A idiotice, continuaria idiota,
Já que este nazi-fascismo,
Além do falso-moralismo,
Vem sempre também envolto,
Naquilo que é mais caro a humanidade.
Uma sacra religiosidade.
Santo Semfé
Daqui a dez meses e alguns dias, chegará o momento de colocarmos as chaves nas portas. Portas “dupla-face”, como aquelas de saloon, mas que não abrirão para um ambiente de bordel. O que estará além delas será o futuro que escolheremos para o Brasil.
Essas portas simbolizam uma encruzilhada: o sepultamento definitivo do nazi-fascismo ou, tragicamente, um remergulho nele.
A trama é mais complexa do que a simples aparência da chave. A “urna eletrônica e o voto” são o prefácio de campanhas políticas caríssimas. O risco do remergulho expõe uma polarização radical: de um lado, as barbáries já vividas — filas do osso, mortes, descaso — embaladas por motociatas terrestres e aquáticas, caricatas demonstrações de virilidade. Do outro, a realidade de que reconstruir exige pouco espaço para festa e muito trabalho, em um processo contínuo e doloroso de reconstrução.
A grande chave não será entregue apenas no final de outubro, com o quase certo segundo turno. O futuro será definido em 03/10/2026, no primeiro turno presidencial. Mais importante que a escolha entre “humanismo ou remergulho no nazi-fascismo” será a composição do Congresso. Se o humanismo conseguir inspirar um equilíbrio parlamentar, sem castrar um Executivo consciente da realidade, a construção da pátria será longa, árdua, mas possível.
Falo em equilíbrio porque não acredito, infelizmente, na repetição de um “1974”. Para quem não conhece a história: naquele ano, a oposição permitida pela ditadura obteve expressiva vitória nas urnas. Mas era uma oposição limitada, controlada.
Na outra face dessa porta, o risco é de um “bordel moralista”, sustentado por intermináveis filas do osso, tudo em nome de Deus.

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