Maduro tem imunidade como presidente, portanto "qualquer decisão judicial será ilegal", afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Os Estados Unidos violaram suas obrigações legais internacionais ao sequestrar e deter o presidente venezuelano Nicolás Maduro, afirmou na quinta-feira a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
Especificamente, sua imunidade como presidente e a legalidade de seu sequestro formarão a base da estratégia de defesa de Maduro no julgamento que enfrenta nos EUA por acusações de tráfico de drogas. "O Sr. Maduro é o chefe de um Estado soberano e tem direito aos privilégios e imunidades inerentes a esse cargo", declarou o advogado do presidente, Barry Pollack, durante a primeira audiência em 5 de janeiro, na qual tanto o líder venezuelano quanto sua esposa, Cilia Flores, se declararam inocentes. "Além disso, existem algumas dúvidas sobre a legalidade de seu sequestro militar", acrescentou o advogado.
O Departamento de Justiça dos EUA acusou Maduro de quatro crimes principais: conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir essas armas em apoio a atividades criminosas.
A agressão dos EUA e o sequestro de Maduro
- Sob o pretexto de combater o narcoterrorismo, os EUA lançaram uma agressão militar maciça em 3 de janeiro em território venezuelano, afetando Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação culminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. As áreas visadas eram de interesse militar, abrigando sistemas de defesa aérea e infraestrutura de comunicações, embora áreas urbanas também tenham sido afetadas, resultando em vítimas civis.
- Caracas descreveu as ações de Washington como uma " agressão militar muito grave " e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país".
- A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse como presidente interina do país sul-americano.
- Diversos países ao redor do mundo, incluindo Rússia e China, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia enfatizou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência externa.
- Segundo o Ministério do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, pelo menos 100 pessoas morreram no ataque, incluindo 32 cubanos da equipe de segurança que protegia Maduro.

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